
Há coisas que me deixam particularmente feliz. Uma delas é ver uma ideia em que acredito ganhar novas rodas e chegar agora a Leiria.
Faço parte do CicloExpresso e, por isso, sabe-me especialmente bem ver estes comboios de bicicletas a circular também por aqui.
É um comboio curioso: não tem carruagens, nem carris, nem revisor. Tem bicicletas, percurso, horário, paragens e passageiros. Pequenos passageiros, neste caso, acompanhados por adultos a caminho da escola.
Os pais podem ir também, se quiserem. Mas podem igualmente confiar nos adultos que acompanham o percurso — os chamados maquinistas — que levam os pequenos ciclistas até à escola. Tudo muito organizado, portanto. Só falta mesmo o apito.
Este mês, o CicloExpresso de Leiria volta a circular para a EB1 Branca, EB1 Amarela, EB1 Caranguejeira, Centro Escolar de Parceiros e EB 2/3 Dr. Correia Alexandre.
E há qualquer coisa de bonito nisto.
Uma criança que vai de bicicleta para a escola ganha autonomia, confiança e uma relação diferente com a cidade. E os pais ganham uma coisa que nem sempre cabe num horário: tempo para estar com os filhos.

Eu faço parte de outro projecto que também usa a bicicleta para aproximar pessoas: o Pedalar Sem Idade.
Aqui, em vez de crianças, levamos seniores e pessoas com mobilidade reduzida a passear num trishaw: aquelas bicicletas especiais com um lugar à frente onde o passageiro vai confortavelmente sentado, enquanto alguém pedala por ele.
É uma forma simples de combater a solidão e o isolamento: alguém pedala, alguém passeia e, pelo caminho, normalmente aparecem boas conversas.
O projecto já está presente numa rede com mais de 50 países.
Gostava que chegasse também a Leiria.
Mas hoje é dia de celebrar o CicloExpresso.
Porque talvez a bicicleta tenha esta extraordinária capacidade de fazer aquilo que às vezes complicamos demasiado: pôr as pessoas em movimento e umas ao lado das outras.
E não é preciso ser criança para começar.
Nem é preciso ser ciclista para participar.
É só preciso experimentar.
Até porque há uma idade em que todos aprendemos a andar de bicicleta. E, felizmente, não há nenhuma idade em que seja obrigatório deixar de o fazer.
É de pequenino que se torce o pepino.
Mas, neste caso,
“é de pequenino que se pedala o menino.”










