Através da mesma editora que revelou Surma e First Breath After Coma, a Omnichord Records, de Leiria, o primeiro disco de Lisa Sereno chegou em Novembro do ano passado, depois dos singles “Mistery” e “Tan Line”, ambos tocados por influências da tradição folk americana.
A cantora e compositora, também com raízes em Leiria, tem agora a oportunidade de mostrar o álbum de estreia, Belonging, no palco internacional, durante o Eurosonic, que se realiza nos Países Baixos.
Lisa Sereno foi escolhida pela Antena 3 para representar Portugal no evento que anualmente reúne 4 mil profissionais da indústria da música, incluindo representantes de mais de 400 festivais em todo o mundo.
O que é o Eurosonic?
Com sede em Groningen, onde decorre a programação, o ESNS (Eurosonic Noorderslag) é uma organização independente que se apresenta como a plataforma líder na Europa na missão de colocar a próxima geração de talentos emergentes debaixo dos holofotes, com concertos e conferências.
Em 2027, o festival Eurosonic acontece entre 13 e 15 de Janeiro. Desta vez, recebeu 6 mil candidaturas e esta terça-feira, 22 de Setembro, anunciou os primeiros 42 artistas seleccionados.
Uma característica do festival e conferência ESNS é que dá aos músicos a oportunidade de se conectarem com o público e com profissionais do sector.
Quem é Lisa Sereno?
Antiga aluna do Orfeão de Leiria e do Conservatório Nacional em Lisboa, cantou na missa, colaborou com orquestras e gosta de musicais, traz na bagagem referências de várias gerações, misturadas com sensibilidade e identidade, desde Molly Drake até Angel Olsen, sem esquecer Zeca Afonso, Madredeus e Silence 4, o canto lírico e a música clássica.
“Depois de a minha voz ter sido comparada à da Joan Baez, na minha adolescência, descobri a música folk norte-americana. A Joan, assim como a Joni Mitchell [canadiana] foram referências importantes para mim, pela maneira como cantavam os agudos, que era diferente do que tinha ouvido até então na música ligeira. Percebi que havia lugar para vozes como a minha”, explicou numa conversa anterior com o JORNAL DE LEIRIA.
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Para a equipa da Blitz, o álbum Belonging foi o 37.º melhor álbum nacional do ano, enquanto a redacção da Antena 3 o considerou o segundo melhor de 2025.
O processo de selecção
Escolhida pela Antena 3 no âmbito da rede European Broadcasting Union (EBU), Lisa Sereno é a única artista portuguesa anunciada até ao momento, que vai participar na edição de 2027 do ESNS – Eurosonic Noorderslag.
Dez anos depois da primeira presença da editora Omnichord Records em Groningen: os First Breath After Coma actuaram ali em 2017, seguindo-se Surma em 2018 e Whales em 2019.
Os artistas convidados para o Eurosonic passam também a integrar o European Talent Exchange, programa criado para estimular a sua circulação pelos festivais europeus.
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Por Groningen passaram, em fases importantes dos seus percursos internacionais, artistas como The xx, Fontaines D.C. ou Sam Smith.
O espírito de Belonging
Antes de chegar ao disco de estreia, Lisa Sereno passou quase uma década a escrever canções longe dos palcos e da exposição pública.
Belonging tornou finalmente visível esse trabalho, com destaque para os singles “Mystery”, “Tan Line” e “Fool”.
Ao vivo, Lisa Sereno apresenta-se acompanhada por João Hasselberg, Pedro Branco, João Costa e Débora King.
O grupo tem vindo a circular por festivais, teatros, clubes e espaços culturais desde o MIL Lisboa ao Bons Sons, da Casa Capitão (Lisboa) ao Maus Hábitos (Porto) e ao Salão Brazil (Coimbra).
Com vários temas criados a partir da intimidade, Belonging é como uma carta que se abre entre a artista e o público. “Tento sempre escrever e expressar-me sem filtros, mesmo que isso signifique expor as minhas vulnerabilidades e fragilidades. Acho que é isso que dá significado à música e que toca as pessoas e faz com se consigam relacionar com o que canto”, dizia a cantora e compositora numa entrevista ao JORNAL DE LEIRIA. “A música tem um poder terapêutico para quem a faz e quem ouve”.










