A voz de Alberto Guerreiro guia numa tarde de domingo os visitantes do novo Museu das Máquinas Falantes, em Alcobaça. Inaugurado na quinta-feira anterior, na festa dos 50 anos do 25 de Abril e da liberdade, é, nos dois núcleos que colocam à vista aproximadamente 1.000 peças de um acervo ainda mais vasto, também um repositório da época em que ditadores e regimes antidemocráticos procuraram controlar a mensagem e dominar a palavra dita e ouvida.
“Mussolini é o homem que tem a ideia” de conceber “um rádio popular”, explica o museólogo. “Obviamente, com intenções de propaganda”. E, em Portugal, “Salazar, no final dos anos 30, vai, na onda de Mussolini e de Hitler”, incentivar “um rádio barato, que as pessoas tivessem acessível e pudessem levar para casa”. Como os dois exemplares agora patentes na Rua Araújo Guimarães, um de estrutura em madeira e com o símbolo da Emissora Nacional e o outro revestido de esmalte.
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