Já não há paciência… para pessoal que dá palmadinhas nas costas a agradecer pelo nosso activismo mas depois quando chega o momento de se juntarem a nós ficam sentados na esplanada ou em casa no sofá. Eu sei que a “impaciência não é uma virtude revolucionária” mas às vezes só me apetece agarrar na cabeça das pessoas e abanar para ver se as ideias vão ao sítio.
Detesto… leguminosas e a elite social pequeno burguesa que vive numa bolha de auto validação da sua própria importância na sociedade.
A ideia… é não dizer qual é a ideia senão nunca mais me convidam para escrever aqui. Ah, e darmos todos as mãos em paz, harmonia e felicidade.
Questiono-me se… a solução para os nossos problemas sociais não estará mais próxima do que aquilo que achamos. Será que o modo como operamos sistematicamente não nos está a fechar os olhos quando temos as soluções mesmo ao nosso lado.
Adoro… a cabidela da minha mãe, tirar a paciência à minha namorada naqueles dias em que estamos moles em casa… o facto de no meio de tanta coisa que eu adoro estas serem as duas primeiras que me lembro está-me a fazer questionar se não devo voltar às consultas no psicólogo.
Lembro-me tantas vezes… do jantar em casa da minha avó que era sempre uma sopa de agrião ou espinafres com pedaços de carne estufada, que ela tinha sempre no frigorífico, e me cortava para dentro da sopa antes de aquecer no micro-ondas.
Desejo secretamente… roubar cartas Pokémon das lojas. Eu não vou pagar 10€ por uma dúzia de bocados de cartão com desenhos. Mas o fetiche das cartas ficou-me desde quando era miúdo. Não vou roubar porque a minha ansiedade social não me deixa nem roubar uma pastilha mas se algum dia for preso é porque roubei cartas Pokémon e vou preso com orgulho.
Tenho saudades… das férias de Verão que passava na Quinta do Bispo a andar de bicicleta de manhã à noite. Das tardes no sótão do Fábio Ventura com o Márcio Menino a jogar monopólio. Das férias em Ponte de Barca passadas à beira rio.
O medo que tive… quando no meio da tempestade fui ver se estava tudo bem na sala e me caiu a caleira do vizinho pelo telhado a dentro. Eu acho que, com o Verão, todos nos esquecemos do trauma que ainda temos com o barulho do vento. Basta haver uma noite em que se ouça um pouquinho para não conseguir dormir com ansiedade.
Sinto vergonha alheia… de mim mesmo às vezes… com o tempo fiquei tão intolerante à vergonha alheia que tenho reacções físicas de sair imediatamente do sítio onde estou se vir alguém numa situação constrangedora.
O futuro… não vai existir se não percebermos que este sistema económico nos está a condenar à extinção como espécie.
Se eu encontrar… a vossa carteira no chão estejam descansados que devolvo assim como a encontrei.
Prometo… não fazer promessas.
Tenho orgulho… no colectivo que temos construído e vamos continuar a construir aqui em Leiria.











