“Nunca sabemos bem quem o outro é, nunca sabemos bem quem é que nós somos”, diz João Pedro Vala, acerca do livro que vai apresentar no próximo sábado durante o Fazunchar, em Figueiró dos Vinhos, quase um diário – “em muitos sentidos autobiográfico”, segundo o autor – que, por um lado, pesquisa “o que há de comum entre duas comunidades diferentes”, ou seja, os habitantes do concelho e os artistas que chegam para o festival, e, por outro, procura responder a uma pergunta: “Quem é que eu sou no meio de todas as coisas que me rodeiam?”
Duas raparigas a tocar Dua Lipa no órgão da igreja, um rosto saído de um dos quadros de Malhoa expostos no museu da vila e um anúncio de óbito afixado num café que provoca um momento insólito e inesperado – “quando levantei a cabeça, na esplanada estava um homem exactamente igual ao homem que tinha morrido” – são linhas narrativas que ajudam a coser o texto de Muro, que é o produto da residência artística de literatura protagonizada por João Pedro Vala, no Fazunchar, em 2022, e que é dado a conhecer, numa edição de pequeno formato com meia centena de páginas, depois de amanhã, na sessão com início às 18 horas.
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