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Home Viver

Harmónios. João Santos está a resgatar os instrumentos raros e belos do século XIX

Cláudio Garcia Cláudio Garcia
24 de Janeiro de 2024
em Viver
“São considerados os Stradivarius do harmónio”, diz João Santos, sobre os modelos construídos por Victor Mustel

“São considerados os Stradivarius do harmónio”, diz João Santos, sobre os modelos construídos por Victor Mustel (Foto: Ricardo Graça)

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“Encontrá-lo em Portugal já é uma raridade”, garante João Santos. “Uma dádiva dos céus”, reforça. “Quando cheguei à capela, fiquei parvo”. No convento dos franciscanos de Montariol, em Braga, “parado há décadas, encostado”, um orgue-celésta Mustel, o mítico modelo 11, construído no ano de 1898. “Que é, digamos, o santo graal dos harmónios de arte”.

Para os entendidos, “não há nada como Victor Mustel”, assinala o organista titular da Sé de Leiria, sobre o conceito desenvolvido pelo construtor francês desde 1853 e depois pelos descendentes até 1931. “São considerados os Stradivarius do harmónio”.

Do modelo 11 de 1898, segundo João Santos, só se conhecem 300 exemplares e o do convento de Montariol abriga-se agora no ateliê fort’Expressivo que o coleccionador mantém nos arredores de Leiria, com originais do século XIX, e para o qual procura mecenas ou patrocinadores dispostos a financiar o restauro de instrumentos raros (ou mesmo únicos) em Portugal. Os da marca Mustel ainda hoje “têm muito mais procura” do que os restantes e “em França são um luxo”.

Aos poucos, no fort’Expressivo, está a consolidar-se “um refúgio” dedicado ao harmónio. “São resgates, aliás, essa é uma das minhas missões, neste momento”, conta o músico ao JORNAL DE LEIRIA. Salvar o que corre o risco de se perder, restaurar quando possível, valorizar em projectos artísticos com apresentações ao vivo para o público especializado e não especializado (o que sucedeu em Dezembro, por exemplo, em Santarém).

Veja o vídeo (orgue-celésta Mustel, modelo 11, 1898):

João Santos começou a colecção com um Mustel descoberto através de um anúncio no Facebook, um modelo 2, de 1899, adquirido por John Edward Quayle e doado por um neto do compositor a uma capela metodista que cessou actividade, na Ilha de Man, no Reino Unido. O achado de Braga, “é uma incógnita”, o trajecto. Entretanto, trouxe de França um harmónio Beaucourt (c. 1865) que pertenceu ao pintor Marcel Féguide e um piano Erard de 1912 (que chegou a ser da mezzo-soprano Suzanne Boyer Lafory), de Inglaterra um harmónio Trayser (c. 1870) e da Holanda um reed organ Van der Burg (anos 50 do século XX).

Embora “mais complexo” do que os parentes próximos, o harmónio tornou-se “muito popular” quando Alexandre-François Debain depositou a patente, em 1843. Surgiu com novos timbres para a música de câmara e “foi importante, porque, de repente, os músicos tinham na ponta dos dedos e num instrumento de tecla a capacidade de fazer expressão como um violino ou como um clarinete”, explica João Santos. “É como ter um pulmão à nossa disposição”. O efeito quando o ar passa pelas palhetas livres, que vibram, permite um registo mais forte ou menos forte. “A partir do momento em que começo a dar ao fole tenho o som que quero”.

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Tópicos: fort’ExpressivoHarmónioJoão SantosMustel
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