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O fascínio e o lado sério dos jogos de tabuleiro modernos

Nos E.U.A. desenvolviam-se também outros jogos, mais agressivos, mas igualmente poderosos por cativarem públicos crescentes, e capazes de gerar imersão nessas atividades sociais.

Micael Sousa, investigador e formador de Serious Games e Gamificação Micael Sousa, investigador e formador de Serious Games e Gamificação
13 de Maio de 2019
em Opinião
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Micael Sousa, investigador e formador de Serious Games e Gamificação
Micael Sousa, investigador e formador de Serious Games e Gamificação13 de Maio de 2019

Em finais dos anos 80, quando a indústria dos jogos digitais estava a arrancar, na Alemanha desenvolveu-se um novo tipo de design de jogo de tabuleiro, aquilo a que hoje chamamos eurogames.

À conta disso, surgiam alguns jogos de sucesso internacional como o Settlers of Cantan. Isso marcou o início da era dos jogos de tabuleiro modernos, para salientar as diferenças de design que os caraterizavam dos mais antigos e comerciais.

Estes jogos eram pensados, preferencialmente, para adultos, tanto nas mecânicas como nos temas.

Evitavam o conflito direto e o fator sorte ao reforçarem a importância das decisões dos jogadores, gerando exercícios de estratégia relevantes. Tinham durações de jogo controladas e eram jogados em grupos de pessoas.

Nos E.U.A. desenvolviam-se também outros jogos, mais agressivos, mas igualmente poderosos por cativarem públicos crescentes, e capazes de gerar imersão nessas atividades sociais.

Destas duas grandes influências, germânica e americana, surgiu uma explosão de novos jogos no início do novo milénio.

Hoje, são publicados mais de cinco mil jogos por ano em todo o mundo, e alguns deles conseguem reunir milhões de euros em plataformas de crowdfunding e em vendas diretas. Surgem cada vez mais lojas, grupos,  [LER_MAIS] associações, convenções, reuniões e projetos que utilizam estes novos jogos analógicos para vários fins.

Estamos perante uma pujante indústria criativa que gera produtos culturais de autor, que podem ser utilizados para lazer e diversão, mas também para outros fins ditos mais “sérios”.

A região de Leiria é um caso nacional paradigmático desta nova tendência. Temos a maior convenção nacional de jogos de tabuleiro, já fortemente internacionalizada: a Leiriacon.

Existem duas editoras aqui sediadas e os Boardgamers de Leiria, da associação Asteriscos, são um dos grupos mais dinâmicos de apaixonados por jogos de tabuleiro no país, ao ponto de terem transformado esse prazer em vários projetos educativos, sociais e culturais que arrastam centenas de pessoas.

Pessoalmente estou a realizar investigação em aplicações de jogos para processos de planeamento territorial na Universidade de Coimbra, e tenho dado várias aulas, oficinas e conferências sobre aplicações de jogos em projetos e formação, direcionados, por exemplo, para o desenvolvimento de competências tais como a negociação, criatividade e colaboração.

Tudo isto pode parecer muito estranho mas, se experimentarem, vão perceber do que falo.

*Investigador na Univ. de Coimbra
Texto escrito segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1990

Tópicos: micael sousaopinião
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