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A minha vila dava um filme indiano

Portugal poderia ser uma espécie de Cinecittà, o complexo de estúdios de Roma, mas devido à dificuldade e burocracia para obter licenças, os produtores preferem filmar na República Checa. Hungria e Espanha.

Jacinto Silva Duro Jacinto Silva Duro
1 de Dezembro de 2016
em Viver
A minha vila dava um filme indiano
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Mas há uma vila que já percebeu o quanto tem a ganhar com a 7.ª arte. Falamos de Óbidos. Uma das mais recentes longas-metragens gravada em Óbidos foi Linhas de Wellington, um filme franco-português de 2012 que usou, como ponto de partida, o papel das Linhas de Torres, no conflito com as forças francesas do marechal Massena e a sua derrota na Batalha do Buçaco, em 1810, frente ao exército anglo-luso.

A realização foi de Valeria Sarmiento, com John Malkovich, Catherine Deneuve, entre outros, nos papéis principais. A vila continua a ser um cenário apetecido por vários produtores de cinema, conseguindo atrair vários projectos de cinema e televisão por ano, mas ainda não conquistou o coração – e os gordos orçamentos – de Hollywood.

Não obstante, o nome de Óbidos está prestes a tornar-se muito conhecido no subcontinente indiano. O impacto na restauração, hotelaria, turismo e florescimento de indústrias criativas ligadas ao sector do audiovisual é apetecível e está nos planos de desenvolvimento futuro da localidade.

Bollywood está de olho em Óbidos
Há duas semanas, uma equipa indiana de filmagem de 50 elementos, entre actores, técnicos e logística, esteve na vila muralhada para captar algumas cenas para uma película de Bollywood (nome dado à industria cinematográfica indiana), que vai estrear na Índia em 2017.

“Óbidos tem uma rua direita, casas baixas e coloridas, é dentro de muralhas e tem muita vida. É perfeita para o nosso filme”, diz Catarina Gaspar, da produtora portuguesa Cinemate, parceira na realização desta película que conta ainda com sequências que se passam no Porto, Lisboa e Lagos. “Temos até uma cena programada no Castelo de Leiria, mas estamos à espera de autorização da autarquia. Além da promoção da cidade no cinema, seria bom ter 50 pessoas alojadas nos hotéis de Leiria, não?”, questiona a responsável.

Danças e canções para contar um filme
A história contada a partir de Óbidos ao público do subcontinente não foge muito à filosofia de Bollywood, estúdios que rivalizam em termos de negócio com Hollywood, daí o nome. Na verdade, a quantidade de produção indiana é superior à dos estúdios sediados em Los Angeles, nos E.U.A..

Sim, há muitas canções e coreografias neste filme, e há também uma história com uma mensagem muito forte que, desta vez, é contada em Malaiyalam, uma das muitas línguas oficiais da Índia. Mas passemos ao que interessa.

Corre o ano de 1995 e um jovem rapaz indiano encontra um velho guru que lhe diz que, um dia, será uma pessoa muito bem-sucedida na vida. Em busca desse sonho de riqueza e fama, torna-se actor – de Bollywood, evidentemente – e conhece uma linda actriz, que é infeliz no seu casamento com um produtor que só olha para ela para tirar dividendos da sua fama.

Ora, esse produtor convida o jovem a participar num filme que será filmado em Portugal. Vendo aí uma hipótese de se tornar famoso, ele aceita e acaba por viajar para terras lusas, onde se apaixona pela actriz e é correspondido nesse sentimento.

De canção em canção e de dança em dança, os dois vão gizando um plano para fugirem ao marido produtor. Mas, e há sempre um “mas”, o jovem vê-se no dilema de escolher entre aquele grande amor e a fama…

E escolhe a fama. Vinte anos depois, já bem-sucedido e amado pelo público, vive amargurado, em recordações do amor perdido, o actor vê uma jovem exactamente igual à sua antiga paixão e isso espoleta-lhe sentimentos confusos.

O resto da história? É preciso esperar até à estreia do filme, em Abril do próximo ano.

Foi você que pediu um Malkovich?
Candidato ao Óscar

Linhas de Wellington passou no festival de Veneza, participou por Nova Iorque e Cannes e foi candidato de Portugal ao Óscar de melhor filme estrangeiro, naquele ano. Começou por ser um projecto pessoal do realizador Raoul Ruiz e que, depois da sua morte, foi concluído pela mulher, Valeria Sarmiento. No elenco, contava com reconhecidos actores internacionais como John Malkovich, Catherine Deneuve, Isabelle Huppert Marisa Paredes, Chiara Mastroianni e Michel Piccoli e ainda os portugueses Soraia Chaves, Ricardo Pereira, Nuno Lopes, Maria João Bastos, Adriano Luz, Albano Jerónimo e Victória Guerra.

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Tópicos: bollywoodCinemafilme indianohollywoodÓbidos
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