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Home Opinião

A televisão não é para os sensíveis

Para mim ver televisão deveria despertar consciências e elevar a cidadania em nós

Daniela Anéis, Psicóloga clínica e terapeuta familiar e de casal Daniela Anéis, Psicóloga clínica e terapeuta familiar e de casal
27 de Setembro de 2024
em Opinião
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Daniela Anéis, Psicóloga clínica e terapeuta familiar e de casal
Daniela Anéis, Psicóloga clínica e terapeuta familiar e de casal27 de Setembro de 2024

Este ponto pode ser polémico. Há mais ou menos 2 anos que não vejo notícias na televisão. Deixei de ver quando a guerra na Ucrânia se instalou e sem querer a minha filha viu e tivemos de ter conversas difíceis. Ainda temos as conversas difíceis sobre todos os temas da atualidade com ela, só não a expomos ao grau de violência e sensacionalismo da televisão. 

Porque é que deixei de ver televisão? Porque sentia que a cobertura excessiva ao minuto de todos os acontecimentos no mundo me provocava uma ansiedade pouco saudável. E que poderia ter acesso a informação mais filtrada mas igualmente correta através dos jornais online por exemplo. A experiência social que fiz em mim mesma resultou e aconselho outras pessoas mais ansiosas e impressionáveis a fazer o mesmo. Ou pelo menos um consumo com moderação e de canais menos sensacionalistas.

Eu trabalho semanalmente com idosos e penso que até poderíamos fazer um estudo com eles sobre os níveis de ansiedade e depressão conforme o número de horas e os canais televisivos a que assistem. É notório o mal-estar de quem vive diariamente e intensamente todas as tragédias que nos são apresentadas. Quem vê menos TV, é sem dúvida mais tranquilo e feliz. Não deixa por isso de ser um cidadão menos informado. 

Abri uma exceção a semana passada quando tomei consciência da tragédia que estávamos a viver a nível nacional com os incêndios. Numa das clínicas onde trabalho a televisão estava ligada num canal de 24h de notícias e fiquei especada a olhar com horror o que se estava a passar. E depois tive de desligar novamente porque quando se começa a explorar as emoções cruas das pessoas, a filmar o desespero apenas para aumento de audiências, aí já não me parece que haja respeito pelo que se vive. 

Daqui surgiu um movimento incrível de cidadãos de apoio aos nossos bombeiros (os heróis desta história) e mais uma vez as consciências pareceram ficar despertas para as perdas incalculáveis de vidas humanas, animais e bens materiais. Mas e depois quando esta onda de solidariedade esmorecer? Quando isto já não fizer aumentar audiências? 

A gestão da floresta deixará de ser importante? A profissionalização dos bombeiros e a aquisição de equipamentos adequados de combate às chamas vai deixar de importar? E tudo isto até ao próximo Verão? Questiono: quando vamos sair disto? Quando vamos encontrar soluções a sério em vez dos habituais remendos? 

Para mim ver televisão deveria despertar consciências e elevar a cidadania em nós. Deveríamos sim, para além das ondas de solidariedade, fazer exigências a quem de direito. 

Texto escrito segundo as regras do Novo Acordo ortográfico de 1990

Tópicos: cidadaniacriançasDaniela AnéiseducaçãofamíliaidososinformaçãojornaisLeiriaMarinha Grandenotíciasonlineopiniãopsicologiaregião de Leiriasensacionalismotelevisãoterapeutatv
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