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Home Sociedade

Abates suspensos no matadouro por “não cumprimento de boas práticas de higiene”

Produtoresda região obrigados a recorrer a Tomar ou a Santarém

Maria Anabela Silva Maria Anabela Silva
12 de Julho de 2018
em Sociedade
Abates suspensos no matadouro por “não cumprimento de boas práticas de higiene”
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O abate de animais no matadouro de Leiria, propriedade da Mapicentro, está suspenso. Uma decisão que a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) justifica com “inconformidades” várias, como o “não cumprimento de boas práticas de higiene e da higiene do abate, com consequente contaminação directa ou indirecta de géneros alimentícios”.

Em resposta a um pedido de informação do JORNAL DE LEIRIA, a DGAV revela que “a actividade de abate foi suspensa no passado dia 25 de Maio, na sequência de mais uma visita de controlo oficial”. Nesse esclarecimento, aquele organismo refere que, nos últimos meses, houve várias vistorias ao matadouro, que detectaram “incumprimentos vários”, que não foram corrigidos com a adopção de “soluções eficazes e duradouras”.

Segundo a DGAV, “as poucas melhorias observadas após o levantamento de autos de notícia revelaram- se apenas como pontuais”, sendo que na vistoria efectuada a 2 de Maio “foi verificada a manutenção da generalidade dos incumprimentos detectados”, com “inconformidades” que constituem “infracções graves e reiteradas aos requisitos legais relativos à segurança dos alimentos e ao bem-estar animal”.

Além do incumprimento das “boas práticas de higiene”, a DGAV aponta “deficiências estruturais que impedem a manutenção e a limpeza e/ou desinfecção adequadas e potenciam a contaminação dos géneros alimentícios”.

É ainda referido o “incumprimento dos requisitos referentes aos critérios microbiológicos aplicáveis aos géneros alimentícios” e “vários incumpri-mentos relativos aos requisitos estabelecidos para os subprodutos de origem animal”.

Face “ao conjunto de inconformidades sucessivamente detectadas e não corrigidas, no domínio da segurança alimentar, conclui-se que os géneros alimentícios resultantes do abate de ungulados domésticos, produzidos, armazenados e comercializados no estabelecimento Mapicentro – Sociedade de Abate, Comércio de Carnes e Subprodutos SA não podem ser considerados seguros”, alega a DGAV.

Agressão a inspector da DGAV
Já depois da suspensão do abate, foram efectuados “controlos de verificação”, durante os quais os técnicos da DGAV detectaram “a manutenção de algumas inconformidades cuja correcção seria essencial para o levantamento da suspensão”. A actividade ainda foi retomada, em regime “experimental”, a 25 de Junho, decorrendo até dia 2 de Julho “sem incidentes”.

A informação da DGVA refere que, neste último dia, um elemento do Corpo de Inspecção Sanitária foi agredido no local, tendo sido solicitada a intervenção da PSP. “Por se considerar não estar garantida a segurança dos representantes da DGAV, os abates experimentais foram suspensos, e solicitada nova reunião com a representante legal da empresa no sentido de garantir essa mesma segurança”, acrescenta aquele organismo.

Essa reunião decorreu na última quinta-feira, dia 5. “Logo que a segurança dos inspectores sanitários esteja garantida pela empresa, e que estejam rectificadas as inconformidades, retomar-se-á o processo de abate experimental para eventual levantamento da suspensão”, adianta a DGAV.

Contactada pelo JORNAL DE LEIRIA, Rosário Coelho, administradora da Mapicentro, limita-se a dizer que “é tudo mentira” e que a empresa “está de consciência tranquila”, remetendo esclarecimentos sobre o assunto para “mais tarde”.

A situação está a provocar transtornos aos produtores da região, que agora têm de recorrer aos matadouros de Tomar ou de Santarém. Isso mesmo foi frisado por Álvaro Madureira, vereador do PSD, na última reunião de câmara, onde abordou o assunto.

Ana Esperança, que detém o pelouro do Ambiente e é a representante do Município no Conselho de Administração da Mapicentro – a Câmara detém 1% do capital social da empresa – , referiu apenas ter informação, “prestada pela DGAV”, de que "o matadouro foi encerrado, porque não reunia condições para estar em funcionamento".

A DGAV esclarece, contudo, que o matadouro não está fechado, mas sim suspensa a actividade  [LER_MAIS] de abate, “mantendo-se em funcionamento as restantes valências da empresa”, nomeadamente, as actividades de comercialização e transformação de carne.

 

Situação financeira
Contas no vermelho

A par dos problemas relacionados com o funcionamento da sala de abate, a Mapicentro enfrenta também dificuldades financeiras. A empresa esteve sujeita a um Processo Especial de Revitalização (PER), encerrado em Fevereiro de 2017 “com aprovação”.

De acordo com as últimas prestações de contas da Mapicentro, a que o JORNAL DE LEIRIA teve acesso, o capital próprio tem vindo a cair, passando de 1,3 milhões, em 2013, para pouco mais de 308 mil, em 2016, o mesmo acontecendo com o valor dos activos e com o total das vendas, que também sofreram reduções nos últimos anos.

Em sentido contrário, ou seja, a subir, estão o passivo e os resultados negativos. Estes últimos somaram, entre 2013 e 2016, cerca de 2,3 milhões de euros.

Tópicos: animaisLeiriamatadouro
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