Falar de ferrovia faz Carlos Vale voltar sempre ao dia do seu nascimento. Foi há 79 anos, “em cima da passagem de nível” da Linha do Oeste (LO), na Barosa. “Havia um carro que fazia de táxi, mas nesse dia não estava disponível. A minha mãe pôs-se ao caminho, a pé, para o hospital de Leiria. Mas não chegou lá. Nasci ali”, conta Carlos Vale, sentado à mesa do Café Chinquilho, na Barosa, consciente de que a linha onde nasceu tem os dias contados.
O projecto Linha Alta Velocidade (LAV) prevê a desactivação de 13 quilómetros da LO na zona de Leiria e a construção de um novo troço paralelo à LAV, que terá uma estação na Barosa, entre Vale da Arieira e Carreira d’Água, a poucos quilómetros do local onde decorre a conversa com o JORNAL DE LEIRIA, à qual se juntou, entretanto, Lucília Carvalho, nascida na Barosa, e que esteve emigrada em França.
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