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Home Sociedade

Antigo cemitério em Alvaiázere vai ganhar vida com musealização

Freguesia de Maçãs de Dona Maria avança com projecto de recuperação.

Maria Anabela Silva Maria Anabela Silva
27 de Setembro de 2018
em Sociedade
Antigo cemitério em Alvaiázere vai ganhar vida com musealização
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Construído em 1855, o cemitério antigo de Maçãs de Dona Maria, em Alvaiázere, foi um dos primeiros do País. Desactivado há mais de 60 anos, o espaço já esteve, por diversas vezes, condenado.

Chegou a ser pensada a sua transformação em jardim e até a demolição. Agora, pode ganhar vida com o projecto de recuperação e de musealização que a Junta de Freguesia está a desenvolver para o local, com o apoio da Al-Baiäz – Associação Defesa Património e da CâmaraMunicipal.

Um dos primeiros passos foi dado no último fim-de-semana, com a realização de um colóquio sobre práticas funerárias e atitudes perante a morte, que juntou investigadores de áreas como a arqueologia, história, arte e antropologia.

Entre os objectivos da iniciativa estava a “sensibilização” da comunidade para “a importância da preservação do seu património funerário”.

Eduardo Laranjeira, presidente da Junta, reconhece que este é um tema que “mexe com a sensibilidade das pessoas”. Pelo que, a autarquia entendeu fazer um trabalho de “preparação” antes de avançar com o projecto que quer desenvolver no antigo cemitério.

O autarca frisa que o espaço se encontra junto à principal entrada da localidade, funcionando como “um mau cartão de visita” pela sua “degradação”, que se agravou há uns meses com a derrocada de parte do muro.

“Havia duas saídas: a demolição ou a recuperação. A opção foi a de recuperar e valorizar”, conta Eduardo Laranjeira, adiantando que já estão adjudicadas as obras de reconstrução do muro e do portão em ferro.

A junta pretende depois avançar com a recuperação do interior, nomeadamente dos mausoléus, campas e jazigos, e a musealização do espaço, num projecto que envolverá uma instituição de ensino superior e a Al-Baiäz.

Classificado como imóvel de interesse público

Presidente daquela associação de defesa património, Mário Simões Rodrigues aplaude a intenção da Junta e da Câmara de preservar e musealizar o antigo cemitério, recordando que a Al-Baiäz, fundada em 1997, nasceu precisamente da necessidade de “evitar a então projectada destruição do cemitério”.

 [LER_MAIS]  Na sequência desse processo foi iniciado a classificação do espaço, hoje considerado imóvel de interesse público. O historiador, autor de vários trabalhos sobre Alvaiázere, frisa que o antigo cemitério, que deixou de receber enterramentos da década 50 do século XX, “não sofreu a destruição patrimonial que se verificou na grande maioria dos cemitérios portugueses, com sucessivas modificações das antigas construções funerárias”.

Apesar da sua “pequena dimensão, e ainda que não disponha de numerosas edificações”, Mário Simões Rodrigues acredita que, depois de “alguns restauros e rearranjos”, o antigo cemitério de Maçãs de Dona Maria “constituirá um excelente exemplar do património cemiterial português, permitindo aos visitantes conhecer como eram os cemitérios rurais dos séculos XIX e dos inícios do século XX”.

“Como cemitério de uma pequena vila rural, não é valioso pela quantidade e pela qualidade das suas construções funerárias. É valioso, para a comunidade local, por ser um lugar de memória da terra e das suas famílias. E é valioso para o País por ser um documento material da realidade dos cemitérios rurais portugueses, tal como eles eram a meio do século XX”, acrescenta o presidente da Al- -Baiäz.

Em termos patrimoniais, Mário Simões Rodrigues destaca o “valor artístico” de alguns jazigos, quer os de tipo capela quer os de tipo catacumba (subterrâneos). Mas, no seu entender, a principal razão da sua riqueza “está em ter escapado à destruição constante” que sofrem os cemitérios portugueses, “com a substituição da antiga arte funerária por 'coisas', dificilmente qualificáveis”.

“Tristemente, mais do que 'locais dos mortos', os cemitérios portugueses tornaram-se 'locais da morte da arte'.”

Tópicos: alvaiazareantigo cemiterio maças d. mariamusealizaçao cemiteriosociedade
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