De macacão vestido, Adelino Lopes Pereira espreita junto ao portão. Olha para as obras que decorrem na rua Mouzinho de Albuquerque, em Leiria, à espera que surja algum cliente ou que o relógio chegue às 17 horas, para dar por concluído o dia de trabalho e fechar as portas da oficina que, noutros tempos, funcionava “noite dentro”. Aos 91 anos, o mecânico continua no activo e, embora longe da azáfama de épocas passadas, ainda faz algumas reparações, sobretudo, em bicicletas.
“Aparece um ou outro furo para remendar ou uma afinação para fazer”, avança Adelino Pereira, “mais conhecido como Adelino das Bicicletas”, que se iniciou no ofício aos dez anos. Conta que, assim que concluiu a escola primária, foi para “oficina [de bicicletas] da viúva de Agostinho Diogo de Oliveira”, junto à Sé de Leiria, onde começou por remendar furos e lavar bicicletas. Nessa fase, ainda chegou a trabalhar de dia e a estudar à noite na Escola Industrial e Comercial, mas acabou por não concluir o curso, dedicando toda a sua vida às bicicletas e às motorizadas.
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