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Home Opinião

Assuntos parlamentares e par(a) lamentares

A Assembleia da República (AR), o nosso Parlamento, é talvez o órgão de soberania mais impopular do país, malgrado a Justiça, que também não recebe muitos aplausos. Vive (funciona) nos moldes com que funcionava nos finais da monarquia liberal.

Francisco J. Mafra, economista Francisco J. Mafra, economista
25 de Março de 2017
em Opinião
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Francisco J. Mafra, economista
Francisco J. Mafra, economista25 de Março de 2017

Eça de Queiroz deixou-nos epítetos sobre o seu funcionamento, que até parece que estamos a ver a AR dos nossos dias. 

Poupo-vos a essas críticas mordazes que faziam corar as senhoras de vergonha. Mas não resisto à qualificação de deputados “de cu” com que Eça pretendia designar a maior parte dos representantes do povo: entravam mudos, saíam calados e em toda a legislatura só se levantavam para votar, sentando-se de imediato.

Se repararem bem, é o que acontece ainda hoje à “multidão” dos 230 deputados que supostamente nós elegeríamos, mas na realidade não elegemos. Já aqui expliquei isto e por isso passo à frente. O que me traz hoje a este assunto é o deplorável aspecto de que a AR dá mostras, sobretudo nos debates quinzenais, na presença do governo.

Por pouco e por este andar não tarda que não estejamos a assistir a espectáculos de agressão física, como temos visto noutros países miseráveis por esse mundo fora. Apesar da pedagogia do Presidente Marcelo, desvalorizando (disfarçando?) a crispação e sublinhando que em política não há inimigos mas apenas adversários.

De facto assistimos todos os dias a cenas lamentáveis que rodam o insulto e a falta de educação. Há dias, quando o ministro Centeno anunciava o valor definitivo do melhor défice de há 42 anos, nem um sorriso nos sectores das oposições.

Em qualquer democracia moderna, o líder da oposição levantava-se e ia felicitar o ministro pela proeza, como tantas instâncias internacionais, aliás, fizeram.

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*Economista

Tópicos: assembleia da repúblicaGovernoopinião
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