Para muitos portugueses, Black Friday é sinónimo de oportunidade para fazer compras com descontos. Mas há um número crescente de consumidores que se mostram mais informados e até desconfiados com as promoções. E ao JORNAL DE LEIRIA, a Deco- Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor deixa um conjunto de dicas úteis para que cada compra realizada seja efectivamente uma boa compra.
De acordo com um estudo da Klarna, conduzido pela Appinio, e citado pelo ECO, a maioria (74%) dos consumidores portugueses prevê fazer alguma compra durante a Black Friday, sendo que 63% planeiam gastar até 250 euros nesta altura de promoções. Contudo, apesar do entusiasmo, os consumidores mostram-se cada vez mais racionais, informados e desconfiados. Ou seja, um terço dos [LER_MAIS]consumidores diz verificar os preços antes da época de descontos, para garantir que estão a fazer um bom negócio, enquanto 24% continuam cépticos quanto à autenticidade das promoções apresentadas, desconfiando e achando que os descontos podem não ser genuínos.
O mesmo estudo, que durante a primeira quinzena de Outubro auscultou mil portugueses, entre os 18 e os 65 anos, mostra que, entre os consumidores que utilizam a Black Friday para fazer compras, mais de metade (51%) acaba por fazê-lo online, ao procurar e comprar directamente em plataformas de e-commerce, enquanto 28% pesquisa online antes do momento da compra, que é terminada na loja física.
Graça Cabral, responsável pelo Gabinete de Comunicação da Deco, deixa um conjunto de recomendações aos consumidores para fazerem compras de forma informada, responsável e que lhes sejam convenientes, seja durante a Black Friday seja em qualquer situação de vendas com redução de preço, independentemente da designação que a loja lhe der.
“Em primeiro lugar, é preciso verificar se a promoção vale a pena. É necessário comparar preços e pesquisar aqueles que foram praticados antes e depois. E o preço anterior tem de ser o mais baixo dos últimos 30 dias. É sobre esse preço mais baixo que deverá ser feito o desconto”, contextualiza Graça Cabral.
Se o consumidor quiser procurar artigos numa loja online, tem de perceber se a loja onde navega é segura, que deve ter endereço começado por htttps. Relevante ainda é informar-se sobre a política de trocas. Isto “porque na loja física, um artigo que se encontra em condições de ser usado, como uma peça de vestuário ou calçado, e que até pode ser experimentado no estabelecimento, só é trocado por cortesia”, realça a técnica da Deco.
E na internet, o período para trocas são 14 dias, seja em temporada de saldos ou não. “É também necessário saber que os produtos personalizados, como uma camisola de um clube de futebol com o nome de uma criança, ou caixas de CD onde o selo já foi aberto, não podem ser devolvidos”, exemplifica Graça Cabral. Não menos relevante, destaca a responsável, é que o consumidor, na euforia de adquirir o bem, não se esqueça de verificar as medidas correctas, as características do mesmo, para não comprar mobiliário, electrodomésticos ou outro equipamento que não corresponda às suas necessidades, alerta a técnica da Deco. Outro conselho é “evitar comprar por impulso”. “Não só por uma questão de equilíbrio financeiro, mas também de responsabilidade ambiental”, realça Graça Cabral.
Lino Ferreira, presidente da Associação de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo da Região de Leiria, explica que a Black Friday não é uma temporada consensual entre os empresários. Se alguns observam este período como mais uma oportunidade de gerar negócios, para outros não é a melhor fase para fazer promoções, por ser uma data muito próxima da quadra natalícia. “Mas é um fenómeno mundial e sempre melhor que os nossos empresários de Leiria o façam. Há que acompanhar as tendências do mundo moderno”, considera o presidente da Acilis, entidade que tem em curso acções de forma Prós e contras Temporada não gera consenso a envolver os seus associados na projecção da Black Friday. Também Eduardo Carvalho, presidente Associação Comercial e Industrial da Marinha Grande, nota que “a Black Friday, apesar de ser um conceito importado, já faz parte do calendário comercial do concelho” e “tem impacto, sobretudo quando é bem planeada e adaptada à realidade do nosso comércio local”. “Para muitos lojistas, esta campanha representa uma ajuda real nas vendas, permitindo escoar stock, atrair novos clientes e dinamizar o negócio numa altura do ano em que o consumo começa a aquecer com a proximidade do Natal”, frisa.










