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Home Sociedade

Capitania interdita mergulhos na zona do antigo cais da praia da Foz do Arelho

Interdição justificada devido ao "risco de existência de objectos submersos" que podem colocar em perigo a segurança dos banhistas.

Redacção/Agência Lusa Redacção/Agência Lusa
23 de Maio de 2026
em Sociedade
.

. (Foto: Jornal de Leiria/Arquivo)

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A Capitania do Porto de Peniche interditou os mergulhos na zona do antigo cais da praia da Foz do Arelho, devido ao risco de o local poder conter detritos da demolição da estrutura, após uma intervenção do município.

“Face à degradação do antigo cais [da Foz do Arelho, concelho das Caldas da Rainha] e por questões de segurança, estão proibidos saltos e mergulhos para a água a partir daquela estrutura”, determinou a Capitania do Porto de Peniche, num edital publicado ontem.

No texto, a capitania, que tutela a estância balnear, justifica a interdição “devido ao risco de existência de objectos submersos e outras condições que podem colocar em perigo a segurança dos banhistas”.

A capitania informa ainda que o local será devidamente sinalizado e que o incumprimento da interdição poderá ser punido com coimas entre os 400 e os 2.500 euros.

Numa publicação nas redes sociais, o vereador social-democrata Hugo Oliveira responsabilizou a autarquia das Caldas das Rainha pela interdição que considera ser resultado da “acção criminosa levada a efeito pela Câmara” quando, em 2021 “entendeu derrubar o cais”.

O cais, que se encontrava em elevado estado de degradação, aguardava uma intervenção da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), inserida num projecto de requalificação da zona lagunar.

Segundo Hugo Oliveira, a APA não iniciou a requalificação “porque o valor da intervenção ultrapassava o valor de ajuste directo”, já que “tinha de ser garantida uma área fechada de contenção dos resíduos na demolição”.

Porém, acusa o vereador, a Câmara liderada por Vítor Marques (independente) avançou com a demolição do cais “sem qualquer preparação para tal”, sem “a licença que só chegou um dia depois da demolição e sem área de contenção, espalhando os resíduos pela Lagoa”.

Uma intervenção que o PSD qualifica de “verdadeiro atentado ambiental”, acusando a autarquia de uma “acção irresponsável” que não teve em conta “que ficaram resíduos naquele local e que são um perigo para a integridade dos banhistas”.

O também deputado do PSD exemplifica mesmo com o caso de um praticante de ‘padle’ que, há cerca de dois anos, “caiu naquele local e espetou um ferro numa perna”.

O vereador afirma ter questionado o presidente da autarquia e ter recebido deste a garantia que os detritos da demolição já tinham sido removidos.

Ainda assim, diz ter solicitado que fosse feita uma vistoria para “aferir se havia alguns destroços que colocassem em perigo a integridade dos banhistas”.

Face à interdição determinada agora pela capitania, Hugo Oliveira conclui que “o perigo se mantém” e que tal “significa uma tamanha irresponsabilidade” da Câmara que, em cinco anos, “não acautelou todas as condições” de segurança dos banhistas.

Contactado pela Lusa o presidente do município esclareceu que em 2021, quando iniciou o mandato, “o cais já não se podia utilizar há seis anos, mas não havia coragem para o demolir”, pelo que a Câmara iniciou procedimentos para a demolição “devidamente legalizada e com as autorizações da APA e da capitania”.

O autarca admitiu que, “passado mais de um ano, no sítio onde estava o cais apareceram uns ferros”, alegadamente de sapatas da estrutura, que se encontravam “enterrados na areia” e que foram removidos pela empresa que tinha efectuado a demolição.

“Não havia projecto de como o cais tinha sido feito e só posteriormente se percebeu que foi feito com sapatas, debaixo das quais havia ferros que estavam fundidos na areia e que mais tarde se soltaram”, explicou.

“Mais recentemente, voltaram a aparecer ferros pelo que a Câmara informou a capitania e pediu-lhe a interdição daquela zona a banhos e mergulho, para salvaguardar a segurança dos veraneantes”, acrescentou.

Vítor Marques adiantou ainda que a mesma empresa irá, na terça-feira, “fazer uma intervenção para remover mecanicamente todos os ferros que forem detectados” e que será feita, nas duas semanas seguintes, “uma vistoria com mergulhadores para se, realmente houver mais ferros, poderem também ser removidos”.

Tópicos: Caldas da RainhaFoz do arelhointerdiçãopraiaverão
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