No debate do Estado da Nação, no final da semana passada, acusou o Governo de estar a falhar à região no processo de recuperação pós-Kristin. Quais as principais falhas?
O Governo, além de distante, foi extremamente arrogante com a região de Leiria. Acompanhei o processo desde as três da manhã da madrugada de 28 [de Janeiro]. Sei do que falo. Elogiei, várias vezes, o ministro da Economia e Coesão Territorial, por vir ao território e por ouvir as associações empresariais antes de preparar as medidas. Mas, neste momento, não está a defender as pessoas ao não dar uma única palavra sobre o facto de as seguradoras estarem, em muitos casos, a propor indemnizações abaixo dos 30% dos prejuízos. Por outro lado, fala em milhões de apoios às empresas, mas, na verdade, são milhões de crédito que as empresas tiveram que contrair. Da parte do primeiro-ministro, houve um abandono completo. Foi isso que disse no debate da nação. Sentiu- se obrigado a vir cá no dia 29 de Janeiro e só voltou quatro meses depois, quando reuniu o Conselho de Ministros em Pombal. Acho inacreditável que, face às consequências da tempestade Kristin, o primeiro-ministro tenha estado quatro meses sem vir à região.
Que leitura faz dessa ausência?
É elucidativa da forma como o Governo olha para nós. Fomos sempre uma região que, independentemente dos partidos no poder, nunca teve muito acompanhamento do Governo. Talvez, também por isso, nos tenhamos tornado tão resilientes e transformadores e tão independentes. Mas há circunstâncias que obrigam a que o Governo esteja presente e apoie. A tempestade Kristin foi uma catástrofe sem precedentes. Não posso aceitar que digam que a resposta foi a mais rápida de sempre, porque não há termo de comparação. Houve uma grande falta de humildade deste Governo na resposta à Kristin. E ainda nos tentam enganar lançando números que, quando escrutinados, se percebe que não estão correctos.
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