
Project Hail Mary é um filme muito sólido e surpreendentemente acessível, capaz de agradar a praticamente todo o tipo de público. A sua narrativa paralela é utilizada de forma inteligente, equilibrando mistério e revelação sem nunca perder o ritmo.
Ryan Gosling parece ter sido feito à medida para este papel. A combinação de comédia e emoção não é propriamente nova na sua carreira, mas continua a funcionar. Há momentos de humor que podem não atingir todos os espectadores, mas, no geral, o filme mantém-se inclusivo e envolvente.
Parte da minha experiência foi afetada pelas expectativas elevadas. Não é um novo Interstellar de Christopher Nolan – e nem tenta ser. Segue caminhos diferentes, mais leves e humanos. O erro foi entrar à espera de algo “dos melhores de sempre”. É, sim, um ótimo filme, mas não entra no meu topo de sci-fi. Ainda assim, resulta muito bem em sala de cinema.
A música é competente e eficaz, embora, novamente, vítima de expectativas altas. Os coros destacam-se, criando uma sensação simultaneamente gloriosa e quase ancestral. Curiosamente, o filme faz lembrar clássicos como Dark Star e Silent Running, sobretudo na forma como mistura ficção científica com um toque de leveza. Há também ecos de um certo espírito de Steven Spielberg.
No geral, adapta bem várias referências e constrói algo próprio. Se puder, veja no cinema. Caso contrário, invista num bom sistema de som e imagem – a fotografia de Greig Fraser (de Dune) merece ser apreciada nas melhores condições.










