É um caso de revivalismo? “Penso que sim. Há muitas camadas jovens a aprender, há muitos grupos de tocadores”. Luís Eusébio conhece todos os segredos daquele que é, talvez, o mais democrático e popular dos instrumentos portugueses. Idealmente, a construção do cavaquinho exige, não só, talento e paciência, como também a melhor matéria-prima. “A madeira mais namorada é o pau santo do Brasil ou da Índia”, explica ao JORNAL DE LEIRIA. Por ser “mais densa” e porque “reflecte melhor o som”. Há duas técnicas de construção (a espanhola e a francesa) e os exemplares para uso profissional custam sempre acima de 600 euros. Os clientes mais comuns do Luthier d’Óbidos são, além dos músicos, os estudantes das tunas académicas e os reformados, que, geralmente, aprendem já depois da idade activa, por exemplo, nas universidades seniores.
Quando o público das Festas de São Sebastião, em Valado de Frades, recebe o Grupo de Cavaquinhos “Os Farra”, os lugares em palco são maioritariamente ocupados por cabelos grisalhos e entre os tocadores estão duas antigas professoras do ensino especial, ambas de 79 anos, que se iniciaram na música quando terminaram a carreira. “Há que preencher o espaço com coisas alegres”, comenta Maria Helena Mateus. “Fizemos um espectáculo há oito dias interessantíssimo na Biblioteca Municipal de Alcobaça, o projecto Portugal de Lés a Lés, em que tocámos canções do norte ao sul, incluindo ilhas”.
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