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Home Viver

Débora Umbelino, música (projecto Surma) “A Surma é uma miúda estranha”

"Considero-me e à minha música como algo experimental ainda. Talvez daí venha essa sensação de que sou Pitchfork. Ainda ando à procura da minha identidade e caminho sonoro…"

Jacinto Silva Duro Jacinto Silva Duro
20 de Março de 2016
em Viver
Débora Umbelino, música (projecto Surma) “A Surma é uma miúda estranha”
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Quem é a Surma?
Nem eu sei dizer… A Surma é uma miúda estranha…

Tem alguma coisa a ver com a Débora Umbelino?
Não, nada a ver com a Débora… Quer dizer… até tem muito a ver com a Débora, é o meu alter-ego.

Hugo Ferreira, responsável pela Omnichord Records, refere-se a Surma, como sendo “o projecto mais Pitchfork de Leiria”.
Também se sente assim? É um elogio enorme. Não sei se consigo calçar esses sapatos. É uma pressãozinha. Considero-me e à minha música como algo experimental ainda. Talvez daí venha essa sensação de que sou Pitchfork. Ainda ando à procura da minha identidade e caminho sonoro… por isso, não sei.

Depois de Surma, vê-se a vestir a pele de outra personagem?
Não. Acho que vou parar pela Surma. Ela vai ficar aí… Mas não posso prometer nada porque, todos os dias, descubro coisas novas e interessantes, que quero fazer e conhecer. Não gosto muito de pensar no futuro e prefiro viver no presente. O que vier, será bom. Quero ir com calma.

A sua música tem alguma linha inspiradora que tem uma maior prevalência quando compõe?
É tudo muito experimental, não sei dizer ao certo. Neste momento, estou mais voltada para explorar os sintetizadores e para a música electrónica. No início, explorei mais a guitarra e o baixo, mas agora sinto-me mais à vontade nas teclas. Entretanto, posso também vir a mudar. Nunca sei o que o futuro traz. Quanto a bandas, St. Vincent ou Annie Clark sempre foram uma grande influência para mim. Quase uma obsessão. Agora ando a ouvir mais Deradoorian, que é uma dupla de duas raparigas que usa loops e outras coisas “estranhas”, mas tento abstrair-me ao máximo quando componho. Não ouço música o dia todo. Tem de ser.

O tema que foi usado no seu primeiro videoclipe, Maasai, rege-se por que regras?
Foi uma das primeiras músicas que compus como Surma. É um tema que é muito importante para mim. As minhas músicas são todas importantes, mas essa tem um significado maior para mim. Em Maasai, fui juntando tudo, não sei dizer ao certo como foi que a compus. Cada coisa a seu tempo. O videoclipe tem uma história bastante engraçada. O Hugo Ferreira ligou-me um dia a perguntar “olha lá, gostavas de gravar o teu primeiro videoclipe na Bélgica?” Assim que ouvi isto fiquei num estado de histeria que nem sei descrever por palavras, mas claro, não querendo dar parte de fraca, disse com toda a calma um redondo “sim”. E pronto… lá fui toda feliz para a Bélgica com a melhor companhia possível do Eduardo Brito e do Helder Waterlain. Filmámos em Doel, uma cidade quase fantasma, durante dois ou três dias magníficos. Estava um frio que não se podia andar na rua, mas a boa disposição estava sempre lá. E havia ameaças de bomba na ocasião em que gravámos. Polícias na rua com espingardas de metro e meio era o prato do dia. Como actriz, sou péssima e não conseguia estar séria. Estava sempre a rir. O Eduardo ralhou-me muitas vezes porque eu estava sempre a rir. “Concentra-te!” Sem estas pessoas nada disto seria possível. Sou uma sortuda por ter as melhores pessoas a meu lado

Perfil
Menina do coro

Começou a cantar no coro da igreja e costumava cantar em casamentos, mas hoje ninguém diria que a Débora Umbelino desse tempo e a artista actual, alegre e extrovertida, são a mesma pessoa. Já tanto mudou.

Estudante de Pós-produção Audiovisual, na Restart, em Lisboa, Débora Umbelino, dá corpo a Surma. Aliás, o contrário também poderá ser verdade, tal é o modo como a artista e a personagem se confundem.

“Está a ser difícil aliar a música à escola”, admite, mas nada que a jovem de 21 anos, não consiga resolver. Antes de descobrir a paixão pelo audiovisual, estudou Contrabaixo e Voz, na escola do Hot Club, também em Lisboa.

“Acabei por sair. Era muita teoria e decidi sair.” Foi vocalista para os temas originais dos Basf – Backwater and the Screaming Fantasy, actuais Whales, e antes disso, ainda passou pelos Rumbles, que se dedicavam a versões de outros artistas.

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Tópicos: deboraumbelinoentrevistamusicaleiriasurma
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