
# 1 Certa cadeia de supermercados terá, segundo as estimativas aqui consideradas, 150 milhões de euros de lucro anual. O grupo a que pertence terá lucrado cerca de 650 milhões. Falta fixar fontes e ano, mas a pergunta é clara: quanto chega a quem mantém o negócio a funcionar? Na base, o salário oferecido ficará pouco acima do mínimo, acrescido de sete euros diários de subsídio de alimentação.
No topo, faltam dados para comparar. Mas façamos uma conta assumidamente hipotética: um administrador que receba 500 mil euros anuais ganha, num ano, o equivalente a cerca de 38 anos de um salário-base bruto anual de 13 mil euros. Com um milhão, são cerca de 77 anos. Um ano de um lado. Uma vida de trabalho do outro. Responsabilidade, decisões complexas, competição por gestores: há argumentos para esta distância. Também merecedor de discussão é o salário de quem descarrega, repõe, limpa e atende.
#2 Uma mulher invade o palco de um cantor, toma-lhe o microfone e interrompe a atuação para cantar uma lauda idiota à cadeia. A cena torna-se viral. Outros músicos colegas do primeiro, fazem as suas versões. São livres de o fazer. Multiplicam-se os vídeos, os likes, as palmadinhas nas costas. A marca ganha publicidade grátis com acompanhamento musical. As contas dão trabalho. A piada já vem pronta. Entre perder um amigo e perder uma piada, há sempre quem escolha o aplauso.
#3 Juvenal escreveu panem et circenses na Sátira X, no início do século II. Pão e circo. Agora em promoção. À sua espera, no sítio do costume.













