Que papel cabe aos museus numa sociedade que vibra, sobretudo, com o avanço tecnológico?
A transformação digital e a tecnologia são palavras que entraram definitivamente no mundo dos museus, quer a nível interno, porque permitiram novas ferramentas que agilizam o registo, a troca de informações e a salvaguarda das colecções, quer, sobretudo, ao nível externo, porque permitem outras formas de comunicação, muito mais próximas, muito mais céleres, muito mais criativas, não só entre os profissionais dos museus, mas com o público em geral, e, portanto, podemos captar um público muito mais diverso espacialmente, muito mais amplo. Quando comunicamos através da internet, o nosso espectro de público é mundial. Por outro lado, a tecnologia tem motivado reflexão e obras de arte que já só existem no domínio virtual, curadorias específicas, e os museus têm tido um papel bastante activo nesse processo. Ao nível das exposições, o avanço tecnológico mudou radicalmente a forma como os museus apresentam as suas colecções e como expõem.
Revê-se na ideia de que os museus devem ser espaços vivos e conectados com o exterior?
Hoje convida-se muito mais à participação, à interacção, ao estar no museu de uma forma significativa, que não seja meramente um passar pelas salas, mas que o visitante participe na descoberta do museu e do que o museu tem para propôr. Para mim, o museu é contemporaneidade, não é passado. Deve motivar a reflexão das pessoas sobre a sua própria realidade. Os museus hoje, é este o meu entendimento, não estão à espera do visitante, vão ao encontro, chamam, apelam, ultrapassam as suas paredes.
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