Aos 28 anos, Francisco Sá Teixeira é um dos três melhores directores de vendas da Kempinski Hotels Médio Oriente e África. O prémio, referente ao ano passado, foi entregue ao jovem de Alcobaça em Fevereiro.
“Fiquei muito feliz, porque sou uma das pessoas mais novas neste cargo na empresa e porque 2016 foi um ano difícil: o preço do petróleo quebrou quase em metade e afectou a hotelaria, mas com a liderança do meu director-geral e o grande trabalho de toda a equipa conseguimos resultados impensáveis. Isto chamou a atenção da nossa sede regional no Dubai e da central na Suíça”, conta ao JORNAL DE LEIRIA.
Actualmente, Francisco Sá Teixeira é director de vendas da Kempinski Hotels em Doha, capital do Qatar, mas no próximo dia 4 de Setembro volta à Europa. Foi convidado para assumir funções na unidade de Marbelha, Espanha. “Sinto-me honrado pelo convite, a equipa é muito boa e experiente, sei que vou aprender muito, desta vez mais próximo de casa e num destino que é sinónimo de hotelaria de qualidade”, refere.
O jovem de Alcobaça fez o seu percurso escolar na região – “até à entrada no verdadeiro mercado de trabalho não liguei muito à escola” – a que se seguiu a licenciatura em Gestão Turística na Universidade do Estoril. Mas não ficou por aqui.
Fez também um Executive Master em Gestão Hoteleira na Universidade Católica, obteve diplomas em Competitividade Estratégica na Ludwig Maximilians Universität München (Alemanha), em Hospitalidade na Cornell School of Hotel Administration (Estados Unidos), e em Estratégias de Negociação na HEC Paris, “considerada a grand école dos estudos económicos em França”.
Desde 2010 que todos os anos Francisco Sá Teixeira marca presença em salas de aulas, para se actualizar. [LER_MAIS] “Faço-o porque a hotelaria é muito exigente e dinâmica. Hoje, os profissionais têm que ser eclécticos, precisam de saber falar línguas, de entender a operação (limpeza, manutenção, recepção, restauração), mas também têm de dominar a gestão, ter detalhe e precisão a efectuar previsão de custos e receitas (o hotel faz cerca de 30 milhões de euros por ano em receita), saber negociar contratos, e estar a par das últimas tecnologias e tendências”, conta.
O primeiro emprego de Francisco Sá Teixeira foi em Portugal, como promotor de vendas na cadeia Hotéis Real (que entre outras engloba as unidades Real Parque, Grande Real Santa Eulália e Grande Real Villa Itália). Aos 25 anos, sentia-se “feliz”, responsável que era por “mercados chave na estratégia da empresa”, como o Reino Unido, Irlanda, Rússia e Suíça.
Numa das muitas viagens que fazia conheceu um responsável da Kempinski, que o observou a trabalhar junto de operadores e gostou, recorda o jovem, que reconhece que quando lhe falaram do Qatar “nem sabia que o país existia”.
Sair não estava nos seus planos, mas a verdade é que Francisco Sá Teixeira sempre quis juntar-se a uma cadeia de luxo, “crescer e aprender como se gerem estes hotéis”. Sendo a “cadeia hoteleira de luxo mais antiga da Europa”, com 75 unidades, a Kempinski apresentava-se como um bom desafio. “O hotel aqui [Doha] é um marco no país, é o edifício mais alto do Qatar, com 62 andares, e um destino por si só. As pessoas visitamnos para admirar as vistas de Doha e do mar do Golfo”, conta.
Convívio com chefs: “experiência dura”
Antes de começar a trabalhar na cadeia Hotéis Real, Francisco Sá Teixeira tinha tido algumas experiências para aprender e “ganhar uns trocos”. Assistiu um professor na Universidade do Estoril, em 2008, e no Verão desse ano foi estagiar no Hilton.
No ano seguinte fez Erasmus, mas depois quis conhecer a Europa e precisava de dinheiro. Distribuiu o seu currículo porta-a-porta e conseguiu emprego no restaurante Chocolat, em Breda, na Holanda. “Foi a primeira vez que vi um restaurante de alta cozinha, estávamos no Guia Michelin e trabalhávamos para a estrela. Conviver com os chefs foi uma experiência única mas dura”, recorda.
O seu inglês não era perfeito, faltavam-lhe os termos técnicos de cozinha e tinha de estar muitas horas de pé, já que trabalhava como lava pratos. “Os cozinheiros, por simpatia, às vezes deixavam-me fazer a mise en place das refeições e isso era o auge do meu dia”, diz o jovem, que reconhece ter aprendido muito com esta e outras experiências.










