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Home Economia

Empresas mobilizam colaboradores para uma cultura verde

Os novos desafios da sustentabilidade impõem o aprimorar de competências e uma reeducação dos recursos humanos para práticas organizacionais mais verdes

Daniela Franco Sousa Daniela Franco Sousa
4 de Novembro de 2023
em Economia
As empresas, centros tecnológicos e de saber estão empenhados na preparação dos colaboradores

As empresas, centros tecnológicos e de saber estão empenhados na preparação dos colaboradores (Foto: freepik)

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Garantir a maior sustentabilidade económica e ambiental na sua empresa, bem como nos produtos que disponibilizam aos seus clientes passaram a ser objectivos basilares de grande parte das indústrias de moldes e plásticos. De forma a alcançar tais desígnios, as empresas têm vindo a apostar na preparação das suas equipas.

A formação em contexto de trabalho, bem como o recurso a cursos específicos, dinamizados por instituições de ensino superior, associações, centros tecnológicos ou consultores, têm sido as vias trilhadas para conseguir alinhar os colaboradores com estas novas necessidades do mercado.

Além da formação dos colaboradores, o caminho para a sustentabilidade nas empresas faz-se através de novos produtos e novos métodos de fabrico, também pela adopção do trabalho online sempre que possível, com videoconferências, tratamento e troca de informação por via digital, evitando consumo de combustível nas deslocações e da utilização de papel, recomendam especialistas em Recursos Humanos.

David Barbeiro é membro da administração e director de IT na PMM, empresa sediada na Maceira, no concelho de Leiria, especializada no estudo, desenvolvimento técnico e fabrico de moldes para a injecção de plástico, borracha e fundição injectada, que tem, portanto, uma cadeia de valor completa, desde o design e engenharia de produto até à produção de peças.

Explica que, ao longo de 36 anos de actividade, a PMM tem vido a ajustar-se às diferentes necessidades de mercado, somando, no seu portfólio, moldes para os sectores das áreas automóvel, jardinagem, doméstica, médica e embalagem, tendo no ano passado alcançado um volume de negócios superior a quatro milhões de euros, superando bastante o valor registado no ano anterior.

Trabalhar de acordo com objectivos de maior sustentabilidade económica e ambiental é política desta casa que, para o efeito, tem preparado a sua equipa de 45 pessoas. “A formação depende do papel que cada colaborador irá desempenhar. Mas o principal pilar que nos suporta é uma plataforma de gestão de conhecimento, diria que uma espécie de ‘Wikipédia’ interna, que usamos para descrever em detalhe todo o conhecimento que fomos adquirindo. Qualquer dúvida que um novo colaborador tenha, basta consultar essa plataforma, sendo que, se não encontrar resposta para o que pretende, poderá sempre consultar um colega”, salienta David Barbeiro.

“Existe sempre esse acompanhamento feito por um colega, papel desempenhado pelo responsável de secção”, prossegue o administrador. Quanto à sustentabilidade propriamente dita, assenta em três vertentes. Uma delas é a simplificação dos moldes. Porque quanto menos mecânica, menos aço, menos ferramentas envolve, mais barato, mais economicamente sustentável fica para o cliente e também menos recursos carece no seu fabrico, para benefício do ambiente, nota David Barbeiro. Ao nível dos estudos reológicos, antes do início da maquinação, a PMM também desenvolve a simulação virtual do enchimento, o que permite perceber antecipadamente como seria feita a peça plástica.

É possível perceber como se comportaria com determinada refrigeração, exempli­fica o director de IT. Evitam-se erros e desperdícios antes da fabricação, nota David Barbeiro.

Além disso, remata o administrador, a PMM investiu na instalação de painéis fotovoltaicos em toda a cobertura da unidade, de forma a aproveitar ao máximo o horário diurno e a luz solar para fazer as produções.

Fundada em 1955 e sediada em Leiria, a Plásticos Santo António é uma empresa que se dedica ao fabrico de embalagens para indústria, destinadas a transporte, logística e armazenamento, também de baldes para produtos alimentares e colas, que emprega uma equipa de cerca de 20 elementos.

Miguel Ritto, responsável pela empresa, explica que, ao longo dos anos, a Plásticos Santos António tem apostado na formação dos seus recursos humanos, sendo que as exigências de uma indústria mais automatizada e sustentável também suscitam diferentes necessidades formativas da equipa. A Plásticos Santo António promoveu recentemente, ao longo de quatro ou cinco meses, 75 horas de formação, resultado de uma candidatura, que contou com apoio fi­nanceiro, dinamizada pelo Centimfe (Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos), e que foi ajustada às necessidades especí­ficas da empresa. Parte da formação relacionou-se com melhoria contínua, mudança rápida de postos de trabalho, ferramentas, qualidade e produtividade, e uma outra parte disse respeito a optimização, regulação de máquinas e selos de qualidade.

Foi uma formação realizada na sequência do que é já prática da empresa, de recorrer a formação e consultoria, junto de entidades diversas, seja do Centimfe, da Nerlei (Associação Empresarial da Região de Leiria) ou da Cefamol (Associação Nacional da Indústria de Moldes), salienta Miguel Ritto. A formação no contexto de trabalho é muito importante pois, “por melhor que seja uma escola ou universidade, os jovens nunca saem muito preparados, porque há ofícios que requerem longos anos de experiência”, nota o responsável.

E é necessário formar de acordo com as dinâmicas e solicitações novas que o mercado apresenta.

Esta empresa exporta hoje cerca de 65% do que produz, para quase todos os países da Europa. “Todas as caixas que fabricamos são reutilizáveis, podendo ser recolhidas, para o plástico ser reciclado e injectado na fabricação de novos produtos”, explica Miguel Ritto. Existem inclusive clientes que especificam que pretendem adquirir apenas produtos feitos com plástico reciclado, acrescenta. Tudo isto implica investimento, tecnologia e formação, ajustadas às novas realidades de fabrico.

Projecto What About Twin Transition desperta interesse internacional
É com grande satisfação que Rui Tocha, director-geral do Centimfe, explica o impacto que o projecto WATT – What About Twin Transition tem tido não apenas junto das empresas, mas também de outras entidades no exterior, nomeadamente da Itália e da Alemanha, que se mostraram muito interessadas na forma como o Centimfe está a cooperar e a preparar as indústrias na sua transição ecológica, ao ponto de quererem ajustar a ideia às suas realidades.

“Gostaram muito da metodologia que estamos a usar e isso coloca uma vez mais as nossas indústrias na crista da onda, ao trabalharem novos caminhos”, congratula-se o director-geral.

“A indústria europeia confronta-se com a necessidade de manter a liderança tecnológica e continuar competitiva face aos mercados globais, o que a obriga a integrar a Inteligência Artificial, o uso dos sistemas de dados, e a transformar a sua economia para que esta seja mais circular e sustentável. A Indústria 5.0, que pretende implementar a dupla transição, apoia-se na investigação e na inovação como o suporte para a indústria poder ajudar as economias a serem resilientes, respeitando os limites do planeta”, contextualiza o Centimfe.

Foi nesta realidade que surgiu o projecto WATT – What About Twin Transition, através do qual o Centimfe teve como objectivo estratégico “promover a valorização, transferência e disseminação de conhecimento tecnológico através do matchmaking entre os desafios da indústria e soluções criadas, e da integração dos resultados e das tecnologias desenvolvidas em actividades de I&D, aumentando em termos qualitativos e quantitativos a partilha de informação tecnológica dirigida à indústria de moldes, ferramentas especiais e plásticos, de modo a fomentar a dupla transição, ecológica e digital, pelas empresas”, informa o centro tecnológico sediado na Marinha Grande.

No âmbito deste projecto – que arrancou no início do ano passado e foi concluído no final de Junho – foram várias as actividades desenvolvidas. Uma delas passou por desenvolver o roteiro ou Roadmap do Cluster Engineering & Tooling para alcançar a transição ecológica, com uma forte componente prática, capaz de permitir às empresas do cluster aplicar as tecnologias, as ferramentas e as boas práticas para se alcançar a transição ecológica.

O Roadmap é composto por: Livro Branco, Pacto de Compromisso e ferramentas de apoio à implementação, todos reunidos num Toolkit. Learning Factory foi outra vertente do projecto. Neste ponto, o objectivo foi “demonstrar os desenvolvimentos tecnológicos numa lógica de integração da transição digital com a transição ecológica, através da valorização das disciplinas do desenvolvimento, realçando a sua importância para ter produtos de sucesso e processos robustos, e demonstrando a sua aplicação modular e integrada”.

Em terceiro lugar, o projecto WATT contemplou ainda actividades de promoção e divulgação. Com a realização de “acções com um carácter transversal às actividades do projecto para fomentar a quantidade, qualidade e disponibilidade da informação científica e tecnológica com as empresas do cluster, através de acções de disseminação e de demonstração”, consubstanciadas através de workshops/webinares, mesas redondas, Open Days e conteúdos audiovisuais, concretiza o Centimfe.

Tópicos: economiaempresasnegóciosrecursos humanossustentabilidade
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