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Home Comunidades

Engenheiro de Caldas da Rainha dirige fábrica nos Emirados Árabes Unidos

Marco Gonçalves foi desafiado por um sheik árabe a desenvolver lacticínios à base de leite de camelo

Maria Anabela Silva Maria Anabela Silva
19 de Janeiro de 2025
em Comunidades, Sociedade
Marco Gonçalves está nos  Emirados Árabes Unidos há  quase três anos

Marco Gonçalves está nos Emirados Árabes Unidos há quase três anos (Foto: DR)

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O desafio foi-lhe lançado por um sheik árabe, quando trabalhava num palácio, que lhe perguntou se sabia fazer queijo com leite de camelo. “Não sei, mas vou tentar”, respondeu-lhe Marco Gonçalves, engenheiro agro-industrial, natural de Caldas da Rainha a viver nos Emirados Árabes Unidos há quase três anos. Passados “alguns meses” daquela conversa, já tinha criado uma fórmula para a confecção de queijo a partir de leite de camelo ao ponto de ser comercializado.

O desafio seguinte, era montar a operação para a produção, incluindo o enquadramento legal. “Teve de ser tudo criado de raiz, desde a fórmula para o queijo até à legislação”, recorda o engenheiro, que dirigiu o projecto de lançamento da primeira fábrica de lacticínios com leite de camelo, supervisionando todas as fases, desde a pesquisa e desenvolvimento de produto, até ao posicionamento no mercado e a componente legislativa.

A comercialização dos produtos lácteos à base de leite de camelo arrancará ainda no primeiro trimestre de 2025, havendo “mais duas unidades projectadas” para o novo ano. Marco Gonçalves explica que este empreendimento faz parte de uma estratégia governamental para desenvolver o sector agro-pecuário, um dos alicerces económicos dos Emirados Árabes Unidos que “tem muitas potencialidades”, algumas ainda por explorar.

“Há uma tradição forte ao nível da agricultura e da criação de gado, que é importante valorizar com novos produtos, que sejam inovadores”, defende, adiantado que está também a trabalhar na criação de uma cooperativa agro-industrial.

Estudos em França

A viver em Fujeira, cidade banhada pelo Golfo de Amã, Marco Gonçalves assume que “desde sempre” soube que queria ter uma experiência internacional, que lhe pudesse “abrir horizontes”. A este propósito, recorda um episódio passado em casa da avó, quando tinha “uns cinco ou seis anos”.

“Peguei numa pequena mochila e coloquei lá dentro umas t-shirts que ela tinha acabado de passar a ferro e disse que queria ir embora, viajar e conhecer o mundo”, conta. A partida seria, no entanto, adiada até aos 18 anos, quando foi estudar na Ecole Nationale d’Industrie Laitiere, em La Rochelle, França.

Depois de seis anos em terras gaulesas e de curtas experiências profissionais em Espanha e Inglaterra, Marco Gonçalves regressou a Portugal, trabalhando durante 11 anos na Inprolac. Em 2021, decidiu “fechar o ciclo” no País. Juntamente com a esposa, terapeuta da fala natural de Braga, que deu aulas na Escola Superior de Saúde de Leiria, começou a procurar emprego na zona do Golfo Pérsico, por ser uma região “segura e com muitas oportunidades”.

A primeira proposta veio do Bahreïn, mas não aceitou. Entretanto, a esposa conseguiu emprego numa clínica em Abu Dhabi e acabaram por se mudar para os Emirados Árabes Unidos. A adaptação, diz, foi “fácil”, a começar pela língua, uma vez que “o Inglês é idioma oficial de trabalho”.“É um país anglófono. Muitas vezes, aprendem o Árabe como segunda língua”, conta o engenheiro, de 37 anos, que destaca a multiculturalidade do território, que acolhe “pessoas de 250 nacionalidades diferentes”.

Também a matriz cultural “é parecida com a portuguesa”. “Juntam-se ao fim-de-semana com a família, para almoçar ou jantar. É algo muito importante para eles, assim com as figuras femininas, não só a mãe e avó, mas também as filhas e as tias”, partilha, destacado ainda a componente religiosa, que continua a ter um espaço muito relevante.

“Vejo semelhanças no que acontecia em Portugal há 40 ou 50 anos. Ainda me lembro de a minha avó ir à missa com o lenço na cabeça. Nós, desviámo-nos um pouco da prática religiosa, que eles continuam a manter de forma muito forte”, compara Marco Gonçalves, que não tem planos para regressar, em definitivo, a Portugal. “Gostamos muito de ir de férias, visitar a família e os amigos, mas voltar para trabalhar está fora de questão”, assume

Tópicos: Caldas da RainhacomunidadesEmirados Árabes Unidosleite cameloMarco Gonçalves
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