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Estranha triangulação

As triangulações que aqui nos propomos abordar nada têm que ver com futebol

Francisco Pedro, director Francisco Pedro, director
10 de Agosto de 2023
em Opinião
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Francisco Pedro, director
Francisco Pedro, director10 de Agosto de 2023

A poucos dias do início da liga profissional de futebol, está tudo preparado para regressar aos estádios, ver rolar a bola e assistir às habituais triangulações entre atletas, para, mais rapidamente, ficarem em superioridade numérica e chegarem perto da baliza adversária.

As triangulações que aqui nos propomos abordar, porém, nada têm que ver com futebol, mas com incêndios. Isso mesmo. Nos últimos dias, a nossa região voltou a ser fustigada pelos fogos florestais. Começaram no concelho de Ourém, durante o fim-de-semana, e estenderam-se ao concelho de Leiria na segunda-feira.

O estranho (ou talvez não) é que se olharmos para o mapa, os pontos de deflagração destes três grandes incêndios, Matas e Cercal (Ourém), Caranguejeira e Arrabal (Leiria) formam uma intrigante triangulação. E dizemos intrigante, porque no ano passado, quando as chamas dizimaram milhares de hectares de floresta nos dois concelhos, verificou-se exactamente o mesmo tipo de desenho geográfico, no que aos locais de ignição diz respeito.

É verdade que no caso do incêndio com origem num monte de lixo abandonado na Caranguejeira, em Julho de 2022, o inquérito acabou arquivado pelo Ministério Público (já este ano) por não terem sido encontradas provas de mão criminosa ou negligente. Os investigadores concluíram que o fogo resultou da combustão autossustentada do material combustível acumulado na floresta, devido à conjugação de diversos factores químicos, ambientais e climatéricos.

Agora, depois de mais uns hectares de floresta destruídos e mais um período de aflição para as populações, regressam as suspeitas. Gonçalo Lopes, presidente da Câmara Municipal de Leiria, fala em “ignições estratégicas e premeditadas” registadas “sistematicamente, ano após ano”. E Luís Lopes, vereador responsável pela Protecção Civil municipal, com comprovada experiência em planeamento, prevenção e combate a incêndios, considera que esta sucessão de fogos na mesma zona parece não ser “obra do acaso”.

Tópicos: autarcaautoridadesbombeiroscâmaracaranguejeiraeditorialfogosFrancisco PedroIncêndiosLeiriamão criminosaopiniãoprotecção civil
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