Dia 21 de Abril de 1974. Abel Lopes, então com 23 anos, estava no “mato”, em Quinhamel, na Guiné-Bissau. Foi de lá que escreveu a última carta para a família antes da Revolução dos Cravos. A destinatária era a sua “querida mana” Isabel, a quem confessava estar “farto” da guerra, da Guiné e do “terrorismo”, mas que “o amor à liberdade” o fazia “ter paciência” para acabar a missão “sem qualquer castigo”.
A carta chegou a Fátima, terra da família, já depois do 25 de Abril e foi guardada pela irmã dentro de um livro, onde esteve perdida após o falecimento da destinatária, até ser encontrada por uma jovem da freguesia, entre as páginas de um exemplar de O Crime do Padre Amaro, adquirido numa loja social. A missiva vai agora voltar às mãos do autor.
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