PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assine desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Home Opinião

Falar com o tempo – Parar é também caminhar

Parar é perder tempo, mas como diziam os apóstolos da deambulação urbana dos finais do século XIX, é perdendo tempo que ganhamos espaço, outros espaços.

João Bonifácio Serra, professor coordenador jubilado do Politécnico de Leiria João Bonifácio Serra, professor coordenador jubilado do Politécnico de Leiria
10 de Maio de 2018
em Opinião
Share on FacebookShare on Twitter
João Bonifácio Serra, professor coordenador jubilado do Politécnico de Leiria
João Bonifácio Serra, professor coordenador jubilado do Politécnico de Leiria10 de Maio de 2018

O primeiro livro, de 2013, de Francesco Careri intitulou-se Walkscapes: Andar Enquanto Prática Estética. Três anos mais tarde publicou Andar e Parar. Depois da apologia do nomadismo, o arquitecto vem reconhecer que, no percurso, os incidentes são virtuosos, havendo que os acolher, senão mesmo que os provocar.

Em suma, o deambular obriga a que, por vezes, nos detenhamos. Se há uma arte do andar, há igualmente uma arte do parar. Parar é por vezes o resultado de um imprevisto, obstáculo em que tropeçamos, ou mera constatação de que nos perdemos. “Caminante, no hay camino”, escreveu Machado, “se hace camino al andar”.

A margem de indeterminação não pode ser eliminada em qualquer rota previamente definida. Parar é perder tempo, mas como diziam os apóstolos da deambulação urbana dos finais do século XIX, é perdendo tempo que ganhamos espaço, outros espaços.

O elogio da paragem de Careri recordou-me um outro livro fascinante, O Bom Uso da Lentidão, de Pierre Sansot. O ensaio de Sansot vem recuperar noções mal afamadas como o lento, o retardatário. De facto colou-se ao lento a ideia de que é inábil, pesado, pouco caloroso. Exaltámos os magros, expeditos, que triunfam no cálculo mental e na destreza. 

O autor pretender objectar a que a vontade funcione como um acelerador da duração, deixando-se conduzir pelo tempo. Advoga, em contrapartida, que devemos aumentar a nossa sabedoria, ou seja a nossa capacidade para acolher o acontecimento.

 [LER_MAIS] É essa disponibilidade individual que designa por lentidão. Não é um traço de carácter, mas uma escolha de vida. Não é a marca de um espírito desprovido de agilidade ou de um temperamento fleumático.

É a opção de alguém que quer dar ao tempo todas as oportunidades. A lentidão está no deixarmo-nos guiar pelos nossos passos, apreciar uma paisagem, de preferência à conversa com outrem.

Está no colocarmo-nos em situação de ouvir alguém a quem damos crédito. Está no sonho, nessa espécie de consciência crepuscular que nos mantém alerta. Está na espera, que é uma forma de fazer chegar o horizonte o mais longe possível.

Está na amplitude da nossa vida interior. Está na escrita, que permite que essa vida interior se revele, em vez de se gastar ingloriamente. Está no vinho que saboreamos em vez de o bebermos. Está na ciência da medida justa. Está na ternura, no respeito, na graça.

Em todas estas experiências, a lentidão não significa a incapacidade de adoptar uma cadência rápida. Significa que não queremos acelerar o tempo, nem sermos empurrados por ele, mas que queremos aumentar a nossa capacidade de acolher o mundo e de não nos esquecermos, no caminho, da nossa fragilidade, nem prescindir da nossa liberdade.

A vida é uma oportunidade e não há segunda. Num e noutro livro estamos a falar da cidade e também da democracia. Ambas são lentas por definição, ambas ameaçadas pelo frenesim e pela vertigem A cidade é um lugar, não pode ser um não lugar. A democracia não é só falar, é sobretudo escutar.

*Docente do Instituto Politécnico de Leiria

Tópicos: joão bonifácio serraopinião
PartilharTweet

Mais informação

Opinião

A (ir)relevância de lamber um ecrã

27 de Outubro de 2026
Paulo José Costa, psicólogo clínico
Opinião

Stress a stress, enche o copo

27 de Outubro de 2026
Cláudia Camponez, psicóloga educacional
Opinião

Data centers e a fome por recursos

26 de Outubro de 2026
Ana Pires, Doutorada em Eng.ª do Ambiente
Próxima publicação
Ensino obrigatório até ao 12.º ano gerou jovens mais formados

Ensino obrigatório até ao 12.º ano gerou jovens mais formados

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

Gonçalo Lopes escreve livro sobre a experiência com a tempestade Kristin

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

MAIS VISTOS

Livro relata a experiência do autarca com a crise Kristin

Gonçalo Lopes escreve livro sobre a experiência com a tempestade Kristin

28 de Outubro de 2026
Factos foram julgados no Tribunal de Leiria

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

28 de Outubro de 2026
A categoria de longas teve espaço em Pombal pela primeira vez e premiou Óculos de Sol Pretos

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

28 de Outubro de 2026
Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

28 de Outubro de 2026
Um espectáculo interactivo e temático sobe ao castrelo de Leiria no sábado

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

28 de Outubro de 2026
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assine desde 0,39€ por semana
  • Subscreva as newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Estatuto editorial
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • 50 anos do Poder Local
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • Palavra de honra
  • Crítica
  • Opinião
  • Fotogalerias
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?