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Home Desporto

Famoso 12.º jogador tem mais fama do que proveito no futebol actual

Numa altura em que não há público na Liga de futebol, investigadores do Politécnico de Leiria avaliaram a importância que os adeptos têm na obtenção de vitórias e no factor casa

Miguel Sampaio Miguel Sampaio
10 de Abril de 2021
em Desporto
Famoso 12.º jogador tem mais fama do que proveito no futebol actual
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O Sporting caminha a passos largos para o título nacional de futebol. Para alguns comentadores, tem jogado a favor da equipa de Alvalade o facto de não haver público nas bancadas. “É especulativo, não dá para provar, mas admito que sim. Havia um clima de contestação de um sector de adeptos do Sporting e isso era claro em alguns momentos menos positivos e poderia prejudicar o rendimento da equipa, por ser um plantel muito jovem”, explicou João Aroso.

Rúben Amorim discordou desta ilação. O treinador leonino garantiu que, ao contrário do que parece ser a opinião pública, os simpatizantes leoninos “são uma grande força” e podiam ajudar a equipa. “Penso que se está a subestimar muito os nossos adeptos. São uma grande força do Sporting, não uma fraqueza, e sei que dariam uma resposta muito diferente daquilo que as pessoas pensam. Precisamos muito deles.”

Ora, se calhar, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Na verdade, o famoso 12.º jogador já não tem a importância absolutamente relevante na conquista de vitórias na Liga portuguesa que se supunha. Pelo menos, é essa a conclusão de uma investigação da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria, publicada na passada segunda-feira no International Journal of Environmental Research and Public Health.

“Neste estudo quisemos ver o mais imediato, que são os pontos. O que aconteceu nas últimas dez jornadas da temporada 2019/20, já sem público, face às primeiras 24, ainda com público”, explica Rui Matos, que lidera a equipa que elaborou Vantagem de jogar em casa durante a Covid-19: análise à Liga portuguesa de futebol.

As conclusões revelam que “não houve diferenças significativas sob o ponto de vista estatístico”, diz o docente, doutorado em Motricidade Humana pela Universidade Técnica de Lisboa. Em média, nas primeiras 24 jornadas, as equipas conquistaram 53,6% dos pontos em casa. Curiosamente, nas últimas dez, já sem assistência, até alcançaram 58,8%. “Não se pode dizer que subiu consideravelmente, mas descer também não desceu”, enaltece o responsável.

[LER_MAIS]Devido à relevância das derradeiras jornadas, porque “é quando de decide quem ganha e quem desce”, a equipa de Rui Matos foi mais longe e avançou para a comparação com as últimas dez jornadas das três temporadas anteriores, então ainda com público. Também aí “nunca houve diferenças significativas”. Em 2016/17 desceu de 59% para 56%, em 2017/18 subiu de 60% para 67% e em 2018/19 de 57% para 58%. “Não é por aí”, apontam os dados. “Aparentemente, esta época foi normal.”

Em Portugal o público não parece ser, pois, um factor relevante para a obtenção de resultados no futebol. Contudo, há vários estudos sobre esta matéria e com conclusões díspares. Um deles, que juntou todas as ligas europeias, revela que a vantagem competitiva de jogar em casa diminuiu ligeiramente em estádios vazios. Ao invés, outro, que se foca na Bundesliga da época passada, diz que, sem adeptos, o benefício de ser anfitrião não só diminuiu, como se tornou numa desvantagem, pois apenas 44,1% dos pontos conquistados pelas equipas foi na condição de anfitrião.

Certo é que a vantagem competitiva de jogar em casa, que até está implícita nas regras das competições europeias na vantagem dada ao golo marcado fora, tem vindo a cair. Quando Richard Pollard, da California Polytechnic State University, fez um estudo sobre a Liga portuguesa, entre 1997/98 e 2002/03, “o valor estava nos 65%”. “Em 2017/18 desceu para 58% e na época passada para 55%.”

Estes 10% de diferença em pouco mais de uma década são atribuídos ao aumento do profissionalismo. “Já não se viaja no próprio dia, as condições de trabalho já não diferem tanto e os jogadores já não são tão afectados pela questão do público”, explica Rui Matos, salvaguardando, no entanto, “condições muito particulares”, como jogar em sintéticos, em recintos de dimensões muito reduzidas ou a célebre questão dos jogos em altitude na Bolívia, no Equador e na Colômbia. Mas até os árbitros são menos caseiros sem a pressão do público, dizem os estudos.

Ainda assim, os treinadores sabem que “tudo conta” e agarram-se ao pormenor para fazerem a diferença. Nélson Pousos, responsável pela relva do Magalhães Pessoa, revelou ao JORNAL DE LEIRIA um segredo de Jorge Jesus do tempo em que treinava o clube da cidade. “Quando era com os grandes, que têm jogadores mais técnicos, pedia para deixar a relva um bocadinho mais alta, mas regar bastante nas pontas, para a bola rolar rápido e não a conseguirem apanhar dentro de campo.”

 

EM DESTAQUE

 

“Já não se viaja no próprio dia, as condições de trabalho já não diferem tanto e os jogadores já não são tão afectados pela questão do público”

Rui Matos

Tópicos: ESECSfactor casapublicaçãorui matos
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