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Home Viver

Férias de Verão: chinelo no dedão do pé e livro na mão

Chapinhar à beira-mar, comer bolas de Berlim e passar várias demãos de protector solar por dia fazem parte das férias de Verão.

Jacinto Silva Duro Jacinto Silva Duro
4 de Agosto de 2016
em Viver
Férias de Verão: chinelo no dedão do pé e livro na mão
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 Este período de descanso é, aliás, também uma oportunidade excepcional de acabar aquele livro que anda aos trambolhões lá por casa há anos ou de começar uma nova aventura no meio de novas letras, frases e autores ainda desconhecidos

Não há como dar a volta à coisa: Portugal está a banhos. O País entrou oficialmente na época de funcionamento a meio gás, com meio mundo a mudar-se para a borda do Atlântico demorando os dias a olhar o azul profundo e o ouro puro da areia que se cola aos pé cheios de protector solar e à bendita toalha de praia que mais parece um íman capaz de atrair até a mais pequena partícula de sedimento estival.

Para o restante meio mundo, que ainda está a trabalhar, esta é, igual e oficialmente, a época em que todos os fins de tarde e a expectativa de assistir a um belo pôr-de-sol são uma boa desculpa para sair a alta velocidade do emprego, “voar” até à praia e estender a toalha na areia, para aproveitar ao máximo estes dias. As bolas de Berlim, com e sem creme, ou de chocolate, são opcionais.

Os banhos de mar e de sol estão à espera e não pode haver estadias prolongadas na areia sem longas sestas, protector solar – Factor 50+, no mínimo -, guarda- sóis que se viram e levantam voo em extemporâneas rajadas de vento oceânico, um ou outro “Michel, viens ici que tu vas tomber, e é já agora, se não o teu pai já tas conta!”, crianças a correr e a levantar areia, turistas de pele encarnada à Benfica que teimam em ficar à chapa do sol das 10 às 18 horas, “porque é preciso rentabilizar o dinheiro que se pagou” para vir “ao sul semi-tropical”, e livros.

Carradas e carradas de livros. Livre-se do telefone inteligente, das menos do que inteligentes redes sociais e “selfies parvas” (na verdade, são “auto-retratos parvos”, sabia?) e enriqueça a mente, lendo.

Para ajudar os nossos leitores a escolher que títulos levar para a bordinha do mar, pedimos a dois escritores, uma vereadora da Cultura, uma encenadora, uma responsável por um museu e até a uma livraria que nos ajudassem a fazer uma lista.

Paulo Moreiras, escritor
A Bicicleta do Ourives Ambulante (Gradiva), de Silvério Manata, Prémio Literário João Gaspar Simões 2015. “Neste romance, o autor oferece-nos uma escrita desenvolta, pontuada por um vocabulário rico, a demonstrar toda a qualidade da nossa Língua, e que, nesse exercício, resgata muito do nosso léxico, algum dele já perdido no tempo.”

Os Filhos de Salazar (Saída de Emergência), de António Breda Carvalho, Prémio João Gaspar Simões, em 2010. “Dele, já tinha lido o divertido romance Os Azares de Valdemar Sorte Grande e, nesta obra, o autor centra a acção em Coimbra, no período do Estado Novo, tendo como ponto de partida um episódio verídico: a queda do avião do major Varela que, em 1926, se despenhou misteriosamente no Rio Mondego.”

A Tomada de Madrid (Saída de Emergência), de Mário Silva Carvalho, Prémio João Gaspar Simões, em 2013. “Igualmente baseado num facto histórico, pouco conhecido, a ocupação de Salamanca e a tomada de Madrid, em 1706, e a sua importância na guerra da sucessão espanhola.

Liliana Gonçalves, escritora
Um Circo Que Passa, de Patrick Modiano. “Obra do Prémio Nobel francês de Literatura de 2014, é uma história, escrita num estilo simples e sóbrio, nos anos 60 em Paris. Jean, um jovem de 17 anos, conhece a misteriosa Giséle e a partir daí a narrativa desenvolve-se através de referências constantes a lugares, praças, ruas, pontes, hotéis e cafés de Paris.

O Mestre de Esgrima, de Arturo Pérez-Reverte. “O mestre de esgrima é uma das primeiras obras do escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte. A história desenrola-se no final do século XIX. O protagonista, Jaime Astarloa, é um respeitado mestre de esgrima com um grande sentido de honra. O enredo apresenta o declínio dos valores morais e éticos da sociedade espanhola da época para depois transformar a sua acção num romance policial.”
A Ordem do Poço do Inferno, de Nuno Matos Valente. “Para os mais jovens, a sugestão vai para este livro que se baseia na história de Portugal. Numa tarde de geocaching, Xana, Leo, João e Ulisses tentam encontrar resposta para uma ‘estranha sequência de eventos inexplicáveis’. Com a ajuda de códigos QR, a acção desenrolase de forma interactiva com o leitor, permitindo a consulta de páginas da internet com informações sobre história.

Celeste Afonso, vereadora da Cultura de Óbidos
Da Família, de Valério Romão. “Porque sim, porque é preciso ler este escritor singular – começar com estes 11 contos porque, como alguém disse, “esta escrita não é para meninos”: saímos do livro com “dores de crescimento”.”

Outro Ulisses Regressa a Casa, de Luís Filipe Castro Mendes. “O último livro de poesia do nosso ministro da Cultura. É mais do que uma revisitação de Lisboa, de pessoas e de lugares… é uma nostalgia saudável em forma de poesia e que, na parte final do livro, nos surpreende com um jogo dramático.”

Teoria Geral do Esquecimento, de José Eduardo Agualusa. “Nas férias não pode faltar um livro de Agualusa. Apesar de ter como pano de fundo a Luanda de 1975, de todos os dramas sociais e políticos, é leve e cristalino. Ler Agualusa é entrar numa dimensão sinestésica.”

Ana Moderno, conservadora de museu
Contos Imperfeitos.” Colectânea de 20 autores com “estórias” que existem à volta do mosteiro da Batalha e que nascem de quem visita e contempla o monumento deram o mote à criação deste livro. Vinte visões do monumento, com muita criatividade e emoção à mistura.”

Invisível, de Paul Auster. “A narrativa cinematográfica de Paul Auster tem a capacidade de envolver o leitor da primeira à última página, fazendo-o sentir-se dentro de um filme. Três narradores contam uma história que encontra cenário em Nova Iorque, Paris e Caraíbas. Há um triângulo amoroso, há sexualidade, há fúria e desejo de justiça. Lê-se em folgo e meio, idealmente numa esplanada com vista para o mar.”

Crimes Exemplares, Max Aub. “Antes morta! – disse-me ela. E a única coisa que eu queria era fazer-lhe a vontade!’ É um dos muitos relatos curtos e directos reunidos por Max Aub. Para os adeptos do humor negro – e não só – o livro faz-nos rir da morte e evoca o lado mais maléfico do ser humano. Apesar de negros, estes crimes não tiram a luz a este Verão.”

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Tópicos: leituraliteraturapraiaverão
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