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Home Economia

Fileira da suinicultura facturou 2,4 mil milhões e exportou 150 milhões

X Congresso Nacional de Suinicultura realizou-se em Ourém

Jacinto Silva Duro Jacinto Silva Duro
22 de Abril de 2023
em Economia
David Neves garante competitividade em “qualquer mercado mundial exigente

David Neves garante competitividade em “qualquer mercado mundial exigente (Foto: DR)

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“É terceiro-mundista o panorama que temos no País no que diz respeito ao licenciamento da actividade pecuária.”

David Neves, presidente da FPAS, no discurso de abertura do X Congresso Nacional de Suinicultura, criticou o licenciamento “demasiado moroso, complexo e ineficiente”.

O evento, organizado pela Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS), na semana passada – dias 12 e 13 – em Ourém, teve como tema a sustentabilidade, assente nos pilares económico, social e ambiental.

A ocasião foi aproveitada para discutir os desafios que se colocam ao sector, tendo sido dada muita atenção às exportações.

Paulo Portas, um dos oradores, alertou para o facto de a globalização poder dar lugar a uma “fragmentação comercial” mundial, com a transferência do centro de negócios internacional para o Pacífico.

Actualmente, a fileira está muito exposta aos mercados asiáticos, “marcadamente estatizados e voláteis”, sendo urgente a diversificação.

O número

2,4 mil milhões

foi a facturação do ano passado na fileira da suinicultura. Só a produção de animais para consumo alcançou os 620 milhões e o valor das exportações foi de 150 milhões

Segundo a FPAS, a pandemia travou a trajectória ascendente do ritmo das exportações portuguesas, sobretudo para países como a China, Filipinas, Vietname ou Singapura.

“São mercados onde as pessoas têm poder de compra”, explicou David Neves, à margem do evento, sublinhando a necessidade da busca de novos mercados onde se valorize partes do porco que, em Portugal, o consumidor não quer.

“Há um excesso de produção de 30% na Península”, alertou e assegurou que “somos competitivos em qualquer mercado mundial exigente”.

Suinicultores europeus reuniram em Fátima

Na segunda-feira, o concelho de Ourém voltou a receber uma nova reunião de produtores, desta vez, em Fátima, onde os 17 principais produtores europeus debateram a situação na Europa.

Entre os números apresentados relativos à fileira nacional, que inclui todos os sectores de actividades ligados à suinicultura, estão os 2,4 mil milhões de euros de facturação do ano passado.

Só a produção de animais para consumo alcançou os 620 milhões e o valor das exportações foi de 150 milhões, em 2022.

Em análise, David Neves afirma que o sector vive uma “conjuntura difícil”, provocada pela pandemia e pela invasão russa da Ucrânia.

“Com a contracção das importações no mercado asiático, houve um abaixamento de 40% do valor pago aos produtores, aliado a um aumento dos custos de produção, agravado pela guerra, no primeiro trimestre de 2022, que também, chegou aos 40%.”

Em consequência, cerca de 9% do efectivo reprodutor nacional desapareceu. Na Europa, a queda foi de 3,2%.

“Com os preços a subir, alertámos o Governo para a salvaguarda da produção, sem sucesso. O resultado foram milhares de falências, que levaram à escassez de produto no mercado e à subida dos preços da carne”, diz.

No congresso falou-se ainda das metas de bem-estar animal como compromisso de sustentabilidade social, da redução de 50% no uso de pesticidas, de 20% no uso de fertilizantes, e no esforço de criação de 25% de terras agrícolas em agricultura biológica.

Além da valorização agrícola de efluentes e redução das emissões geradas na actividade, que obriga à formulação das rações fornecidas aos animais.

 
Tópicos: ambientecarne de porcoeconomiaexportaçãofileira da suiniculturaFilipinasmercadomercados asiáticosOurémporcossuiniculturavietnãvietname
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