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Francisco Mourão Corrêa: “O tema dos OVNIS passou do ridículo a um assunto potencialmente sério”

Cláudio Garcia Cláudio Garcia
17/10/19 12:10
em Entrevista
Francisco Mourão Corrêa: “O tema dos OVNIS passou do ridículo a um assunto potencialmente sério”
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As notícias conhecidas nos últimos anos sobre fenómenos aéreos representam um ponto de viragem? 
Pelo facto de haver mais atenção por parte dos mainstream media [os principais meios de comunicação]. Nesse aspecto, sim. Ou seja, neste momento, nos Estados Unidos, onde sempre o fenómeno foi tratado com leviandade, com ridicularização, com muita desinformação, temos o New York Times, o Washington Post e o Politico a falar sobre OVNIS [objectos voadores não identificados]. Em 16 de Dezembro de 2017 foi publicada no New York Times uma notícia, Glowing Auras and Black Money, basicamente a confirmar que o Pentágono tinha tido um programa que estudava o fenómeno OVNI, que decorreu entre 2007 e 2012. E que tinha tido um orçamento de 22 milhões de dólares, atribuído pelo Congresso. Foram dados a conhecer três vídeos, que a Marinha confirma, numa notícia recente, de inícios de Setembro, que são reais [fala de fenómenos aéreos não identificados]. Mais: na altura, foi entrevistado, pela CNN, o comandante David Fravor, que fazia parte da Força Aérea americana e viu com os próprios olhos os objectos, em 2004, enquanto estavam a decorrer exercícios militares ao largo de San Diego. Objectos que constantemente se intrometem nos exercícios, que têm acelerações brutais, que se infiltram em espaço aéreo altamente sensitivo. E depois, em 2015, volta a acontecer, com manobras que eles não conseguiam perceber. 

Como é que encara o interesse do New York Times, do Washington Post? 
Mostra uma alteração da percepção dos mainstream media. O tema dos OVNIS passou do ridículo a um assunto potencialmente sério. E esperam- se novos desenvolvimentos durante as próximas semanas. Agora, puxando um bocadinho atrás, em Maio de 2017, o Robert Bigelow, que é um magnata norte-americano, fornecedor de equipamentos para a NASA, diz, numa entrevista na CBS, no 60 Minutes, que acredita que o planeta Terra já foi visitado. E depois, em Outubro, o Tom Delonge, que é o vocalista dos extintos Blink-182, reunido com uma série de outras personalidades, dá a conhecer o To The Stars Academy of Arts and Science. Este projecto vem criar uma nova pressão para a divulgação de mais documentação, e, mais, engloba uma série de gente ligada a agências de informação, a CIA, a NSA, nomeadamente o Luis Elizondo, que tinha acabado de se despedir do Pentágono, onde esteve a liderar o programa de estudo de ameaças aeroespaciais. Percebe-se que há uma fricção, dentro do Pentágono, entre quem quer que se faça o chamado soft disclosure, portanto, começar a libertar informação, aos poucos, e quem é completamente contra. 

Informação de que género? 
Desde Dezembro de 2017, foram sempre surgindo mais notícias. Sobre a Marinha [norte-americana], que pôs em prática um novo procedimento de reporte de avistamentos, para, no fundo, tirar pressão dos pilotos, e, depois, sobre vários senadores e congressistas que queriam ter acesso a informação, queriam saber o porquê de aquele dinheiro ter sido alocado. Agora, é também um facto que aquilo que é reportado agora já tinha sido reportado nos anos 40 e nos anos 50. A perplexidade dos pilotos é exactamente a mesma, o comportamento destes objectos é exactamente o mesmo. Conseguem ir além dos aviões, conseguem fugir aos aviões, conseguem ter manobras espectaculares. São aparelhos, normalmente, esféricos, que não têm sistema de propulsão aparente, que conseguem desafiar as leis da física e da gravidade. Vídeos sempre houve, e também várias comissões de inquérito e de estudo, por parte de organismos oficiais nos Estados Unidos. Os franceses também fizeram um estudo nos anos 70, publicado no final dos anos 90, o relatório Cometa, feito por altas patentes militares, elementos ligados à astrofísica, à comissão nacional de estudos espaciais franceses, que reconhecem que a hipótese extraterrestre é a mais viável. E a conclusão é: OVNIS, para o que é que nos devemos preparar? O fenómeno é global, com certeza, não ocorre só nos Estados Unidos. Novo é o interesse que agora, de repente, surge. 

Não estamos perante programas militares ainda secretos, avanços tecnológicos? Não é essa a hipótese mais provável? 
Com certeza, não digo que não. É verdade que já no passado aconteceu com o F-22 e com aqueles aviões stealth, que têm uma forma triangular, que nalguns casos foram confundidos com objectos voadores não identificados. Tivemos agora a conferência da Exopolítica em Barcelona, onde esteve presente o Michio Kaku, um físico teórico, muito conceituado, um dos pioneiros da teoria das cordas, e ele precisamente abordou essa questão. Sabemos que os Estados Unidos, a Rússia, a China, todos eles já desenvolveram drones hipersónicos, com capacidade de fazerem manobras evasivas para conseguirem escapar a sistemas de defesa de mísseis. E o Michio Kaku diz que neste momento a responsabilidade de apresentação da prova deixou de estar só com os crentes, passou para os militares e para os governos, são eles que têm de provar que estes objectos são provenientes da Terra. Desafiam os nossos conhecimentos de física. 

 [LER_MAIS] 

Coloca-se a questão de saber, existindo uma ou mais civilizações fora do planeta, por que é que até agora não ocorreu um contacto público. 
Há várias teorias. Podemos pensar que o universo conhecido tem cerca de 13 mil e 500 milhões de anos-luz. Nós vivemos num sistema solar, inserido numa galáxia, e esta galáxia terá à volta de 100 mil anos-luz de diâmetro. Significa que a 333 mil quilómetros por segundo demoraria 100 mil anos a ir de um lado ao outro. É uma brutalidade. Sabendo que existem milhares de milhões de outras galáxias, é uma imensidão. Nós mal conhecemos o fundo dos nossos oceanos, o nosso planeta, querer afirmar que conhecemos tudo o resto é uma grande arrogância. As hipóteses de vida são, de facto, grandes. Uma coisa é falar em vida, outra coisa é falar de vida inteligente. O homo sapiens sapiens tem entre 200 e 300 mil anos de existência, a Terra tem 4 mil e 500 milhões de anos. Se houver uma outra civilização, que tenha mais 100 mil anos-luz, pode ser altamente avançada. Nós também olhamos sempre para os outros à luz da nossa interpretação do que é uma civilização. Que há várias pessoas que dizem que já foram contactadas, há. 

Em Portugal, que casos considera mais interessantes? 
São casos antigos, mas são, de facto, aqueles que têm mais documentação, mais dados. Temos o caso 57, que envolve o então capitão José Lemos Ferreira, que chegou a general, a chefe do Estado-Maior da Força Aérea e a chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas. Em 1957, num voo de treino, entre Portugal e Espanha, ele ia a pilotar um avião, iam mais três, portanto, um esquadrão, e a cerca de 25 mil pés, em território espanhol, vêem um objecto, um foco de luz, que foi mudando de cor, e de forma. Depois, já em território nacional, saem outros pequenos objectos lá de dentro, toda aquela estrutura lançase contra os aviões, que fazem uma aterragem de emergência. É feito um relatório, assinado pelos quatro pilotos, e por outros pilotos que testemunharam toda a comunicação rádio, e há um relatório, também, emitido pela Força Aérea, a atestar que são pilotos idóneos, com centenas de horas de voo, mas, de facto, não há explicação para aquilo que viram. Em 1959, há um caso que envolve o general Tomás Conceição e Silva, na altura capitão, que mais tarde foi chefe do Estado-Maior da Força Aérea. Ele está a preparar-se para um voo de treino, com camaradas pilotos aviadores, e notam que estão a cair filamentos do céu. Isto pela manhã, em Sintra. Cerca do meio-dia, em Évora, o professor Joaquim Guedes do Amaral, que era um homem da ciência, estava a dar aulas e é chamado por alunos que dizem estar a ver algo brilhante no céu. Ele vem cá fora e é testemunhado por ele, por alunos, por outros professores. Segundo o relatório dele, meia hora mais tarde aparece um segundo objecto, maior, e quando vão embora, começam a cair filamentos semelhantes aos de Sintra, durante quatro horas. O professor Guedes do Amaral recolhe uma amostra, e no microscópio vê um ser, lá dentro, que seria, no centro, amarelo ovo, e tinha tentáculos de cor vermelho vivo. Mexia-se. O professor Guedes do Amaral consegue obter três pareceres, do Instituto de Zoologia de Lisboa, do Instituto de Botânica e também de um biólogo da Faculdade de Ciências. Todos dizem que não sabem o que aquilo é, não encontram nenhum enquadramento no que se conhece no reino animal. Anos mais tarde, há um grande incêndio e a amostra desaparece. 

E na zona de Leiria? 
Há o caso de Fátima, 1917, que também envolve queda de cabelos de anjo [filamentos]. O professor Joaquim Fernandes e a doutora Fina da Armada foram os pioneiros em termos de levantar a hipótese de estar mais relacionado com o fenómeno OVNI do que propriamente uma aparição mariana. Desenvolveram todo um estudo, com uma equipa multidisciplinar, e há uma série de evidências de causa e efeito: sensação de calor, zumbidos, estilhaços. É uma teoria. 

Qual é o papel da exopolítica? 
A primeira vez que é utilizado o termo exopolítica é por Alfred Webre. Ele é muito polémico, não nos enquadramos, minimamente, na visão dele, mas foi o primeiro a cunhar o termo exopolítica, no sentido das implicações sócio-políticas e religiosas, para a nossa sociedade, da descoberta de vida extraterrestre. No dia a dia, há troca de informação, em grupos de activistas, que incluem, obviamente, o estudo. Não nos interessam muito as luzinhas no céu, mas a pressão internacional, em termos da discussão do fenómeno, em termos da libertação ou desclassificação de documentação, em termos de iniciativas que possam decorrer a nível internacional e contacto com instituições europeias. 

Qual seria o vosso objectivo último? 
O reconhecimento de que somos visitados. Por alguém ou por alguma inteligência que não a nossa. As evidências apontam nesse sentido: que somos visitados por algo. Pode ter a mesma origem, pode ter diferentes origens. Tudo isso merece ser estudado. 

O que é preciso antecipar? 
De repente, há a consciência global de que não estamos sós. Este soft disclosure faz sentido. O monsenhor Corrado Balducci, que era uma alta figura do Vaticano, muito próximo do Papa João Paulo II, sempre disse que a vida extraterrestre nada vai contra os ensinamentos da Bíblia. A seguir a ele, veio o padre Gabriel Funes, director do Observatório do Vaticano, que publica, na newsletter do Vaticano, um artigo a dizer que os cristãos têm de se habituar à ideia de aceitar os extraterrestres como irmãos, porque, pelo facto de serem mais evoluídos, podem estar mais próximos de Deus e por isso isentos de pecado. E o Papa Francisco também já falou mais ou menos abertamente sobre isso. 

Num cenário de comunicação formal, para todo o planeta, que existem ou existiram contactos com civilizações extra-planetárias, quem seria a pessoa mais adequada para assumir o momento e passar a mensagem? 
À partida, alguém das Nações Unidas. Alguém supra-nacional. Que representasse as nações todas.
 

Perfil 
Francisco Mourão Corrêa é, desde 2010, fundador e coordenador da associação Exopolítica Portugal, no contexto do movimento internacional encabeçado pelo Exopolitics Institute, que se dedica ao estudo das implicações sociais, políticas e religiosas, na sociedade humana, da hipotética descoberta de vida extraterrestre. Nascido em 1973, é formado em gestão, com pós-graduação em marketing. Tem também o curso de medicina tradicional chinesa. Sócio de três empresas na área dos suplementos alimentares e biocosmética, é formador no Instituto Português de Naturologia. Vive e trabalha no Porto.
Tópicos: exopolíticafrancisco mourão corrêaovnis

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