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Há mais mundo para além do nosso

Viajar expõe ainda a criança a novos contextos comunicativos, a novo vocabulário e por vezes a uma nova língua.

Cláudia Camponez, psicóloga educacional Cláudia Camponez, psicóloga educacional
18 de Janeiro de 2026
em Opinião
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Cláudia Camponez, psicóloga educacional
Cláudia Camponez, psicóloga educacional18 de Janeiro de 2026

2026 já cá anda há quinze dias e, como em anos anteriores, não vou correr atrás de resoluções de Ano Novo.

A incerteza é uma garantia e, a esta altura do campeonato, já só quero saúde para toda a gente. O resto é conversa.

Ainda assim, há coisas que o volver do ano nos leva a pensar, mesmo sem contarmos com isso.

Este ano virei a página no país vizinho. Não foi a primeira vez que saí de Portugal nesta altura, mas na companhia de uma criança de 5 anos foi a primeira vez.

Durante sete dias, o pequenote esteve exposto à vida como ela é longe das suas rotinas e contextos, e dei comigo a pensar no poder que as viagens têm nos miúdos, desde que feitas com adultos consistentes, previsíveis e responsivos.

Sabe-se que os primeiros seis anos de vida, graças ao elevado grau de plasticidade neuronal, são um período particularmente sensível do desenvolvimento.

Isto quer dizer que o cérebro se organiza e se adapta, modificando as suas ligações em resposta às experiências e ao ambiente.

É a qualidade das experiências vividas que faz a diferença, daí que viajar me tenha parecido uma verdadeira janela de oportunidade para desenvolver, in loco, competências que dificilmente encontrariam expressão dentro de quatro paredes.

A regulação emocional, as competências sociais, a flexibilidade ou a capacidade de inibição aprendem-se em situações reais, quando é preciso esperar, ajustar expetativas e lidar com pequenas frustrações.

Viajar expõe ainda a criança a novos contextos comunicativos, a novo vocabulário e por vezes a uma nova língua.

Mostra outras formas de estar e obriga a criança a sair do centro, levando-a a perceber que há mais mundo para além do seu.

E mesmo que de forma implícita, viajar mostra à criança que o mundo é seguro e que a novidade não mete medo, merecendo ser explorada.

Viajar ajuda a normalizar a diferença e alimenta a curiosidade. E talvez, hoje mais do que nunca, importa lembrar que viver passa por aprender a estar confortável no meio do que não é igual a nós.

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