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Home Sociedade

Homem diz ao Tribunal de Leiria não se lembrar de ter matado a mulher

Homicídio aconteceu no ano passado em Porto de Mós e, segundo o despacho da acusação, o homem desferiu várias pancadas na cabeça da mulher com uma maceta de ferro

Redacção/Agência Lusa Redacção/Agência Lusa
3 de Abril de 2025
em Sociedade
Julgamento prossegue no dia 10 no Tribunal de Leiria

Julgamento prossegue no dia 10 no Tribunal de Leiria (Foto: Ricardo Graça)

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O homem acusado do homicídio da mulher, o ano passado no concelho de Porto de Mós, disse hoje, no Tribunal Judicial de Leiria, não se lembrar de a ter matado e alegou que aquela o atacou.

“Quando me projectei para cima dela, a partir desse momento, não me recordo absolutamente nada, até ao momento em que tenho consciência [de] que estou no chão”, afirmou ao colectivo de juízes o arguido, de 56 anos, adiantando lembrar-se de ter telefonado para o 112 e dito “qualquer coisa do género ‘venham que eu matei a minha mulher’”.

Antes, o suspeito disse que quando estava próximo de um anexo de ferramentas na casa de família sentiu “um impacto no peito”, tendo dele retirado uma faca de cozinha, e de seguida um “movimento rápido” em direcção ao pescoço, de outra faca.

“Tinha sangue por todo o lado”, relatou, referindo que recuou para a divisão das ferramentas e tentou defender-se da mulher com o que “quer que fosse”.

Questionado com a versão do despacho de acusação do Ministério Público (MP) de que os ferimentos que tinha foram auto-infligidos, o homem respondeu que “isso é mentira”.

“Nunca fiz golpe nenhum a mim próprio”, garantiu ao tribunal colectivo.

Segundo o despacho do MP, confirmado por um juiz de instrução criminal, a relação do casal, com dois filhos maiores de idade, “começou a ser pautada pelo distanciamento”.

No início de Maio de 2024, o homem, que está acusado do crime de homicídio qualificado, encontrando-se, ainda, incurso na pena acessória de declaração de indignidade sucessória, confrontou a vítima com um rumor segundo o qual “um homem da aldeia iria comprar uma casa para ali ir viver com uma mulher casada”, tendo desconfiado que seria a sua.

Após esta confrontação, a vítima transmitiu ao marido que queria separar-se.

Desde então, o arguido disse aos filhos, por diversas vezes, que não era capaz de viver sem a mãe destes, tendo igualmente dito à mulher que se esta o deixasse iria suicidar-se, “pretendendo, assim, que esta desistisse da separação”, sustentou o MP.

Na tarde de 25 de Maio, quando o casal se encontrava num anexo da residência, o arguido, movido por ciúmes, desferiu várias pancadas na cabeça da mulher com uma maceta de ferro.

Apesar de ver a mulher caída no chão, com diversos ferimentos na cabeça e impossibilitada de se defender, o arguido “desferiu-lhe mais pancadas com a maceta, atingindo-a na cabeça”, em número não determinado, mas não inferior a 12.

O arguido tentou ainda estrangular a vítima e, depois de se certificar de que estava morta, ligou para o 112, pedindo a “comparência da polícia, pois tinha matado a mulher”.

De seguida, com uma faca, infligiu a si próprio três cortes, referiu o MP.

Ao tribunal, o arguido rejeitou que houvesse distanciamento na relação do casal e em relação à questão de um homem da aldeia ir “comprar uma casa para ali ir viver com uma mulher casada”, negou ter sido uma confrontação, mas “uma chamada de atenção” e não desconfiou tratar-se da sua mulher.

À pergunta se aceitou bem a separação, respondeu estar “disposto a tentar uma hipótese” e assegurou não ter dito que se a mulher se fosse embora se iria suicidar.

Na sessão desta manhã, o tribunal ouviu a gravação da chamada telefónica que o arguido fez para o 112 e várias testemunhas.

O julgamento prossegue no dia 10.

Tópicos: HomicídiojulgamentoPorto de móstribunal Leiria
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