Já passaram mais de 50 anos, mas Leonor Baridó recorda com precisão o que se passou na tarde de 28 de Outubro de 1973, dia de eleições legislativas – “ou uma espécie de eleições” -, quando, com 19 anos, foi presa pela PIDE em frente à Câmara da Marinha Grande.
A residir em Leiria, tinha ido à sua terra natal almoçar com o casal que a criou. Seguia num Fiat 126, sentada ao lado do condutor, quando, numa rua paralela à câmara – “chamávamos-lhe a ‘rua das retretes’” -, apareceu um conhecido, “o Fernandes do MDP/CDE”, a gritar: ‘Isto deu merda. O Quim Carreira [militante do PCP] foi preso”. Uns metros mais à frente, a viatura foi cercada por “três ou quatro polícias”, que a obrigaram a sair.
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