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Home Economia

Hugo Venâncio, de Leiria, tem 1 milhão de euros para internacionalizar negócio que diz ser único no mundo

A tecnológica Reatia está a mudar o imobiliario. Acaba de fechar uma nova ronda de financiamento, vai abrir em Espanha no próximo mês e está a contratar programadores para conquistar dois países por ano até 2024

Cláudio Garcia Cláudio Garcia
30 de Outubro de 2020
em Economia
Hugo Venâncio, de Leiria, tem 1 milhão de euros para internacionalizar negócio que diz ser único no mundo
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Quando, há dois anos, se sentou para começar a desenvolver a plataforma digital que está a mudar a compra e venda de casas, Hugo Venâncio estaria longe de imaginar o ponto em que se encontra hoje, prestes a abrir o primeiro escritório em Madrid.

Actualmente, a Reatia soma 8 mil utilizadores profissionais em Portugal, tipicamente, consultores imobiliários e agências do sector, incluindo a Remax Portugal, com quem celebrou um acordo.

Hugo Venâncio diz-se surpreendido pela rapidez com que tudo aconteceu – e continua a acontecer.

A empresa de Leiria acaba de captar 1 milhão de euros para se internacionalizar, um esforço suportado pelos investidores Portugal Ventures, Olisipo Way e Wisenext.

“O nosso objectivo durante cinco anos é entrar em dois países por ano”, explica o CEO ao JORNAL DE LEIRIA.

Espanha é o primeiro, no próximo mês.

Em 2024, a Reatia espera operar em 10 países.

Os objectivos também passam pelo crescimento do número de utilizadores: de 8 mil para 14 mil até ao final de 2020.

Entretanto, a plataforma Reatia já é usada por fundos de investimento e portais imobiliários.

Com 16 colaboradores, a tecnológica prevê alargar a equipa para 50 pessoas até ao final de 2021, com contratações para os departamentos de programação, suporte e vendas.

Segundo Hugo Venâncio, o “crescimento exponencial” que a Reatia protagonizou nos últimos meses – em Janeiro contava 1.500 utilizadores – tem na origem uma explicação aparentemente simples: “Durante 10 anos trabalhei junto das imobiliárias com outros serviços que eles necessitam. Percebi que havia uma lacuna enorme de informação de dados para poderem gerar negócio”.

O empreendedor de Leiria vai mais longe: “Tudo era feito de forma muito arcaica”, ou seja, “a oportunidade era clara e era inconcebível como no século XXI não havia nada deste género no sector, nem no estrangeiro”.

A pesquisa de novos imóveis, comparação de preços, actualização de vendas ou acompanhamento da concorrência, por exemplo, fica muito mais fácil.

“Nós integramos essa informação, localmente, em segundos”, resume Hugo Venâncio. “Reduzimos duas horas de trabalho a cinco minutos”.

A plataforma digital Reatia é um agregador que recorre a diferentes fontes para gerar informação com valor para os consultores imobiliários, com recurso a inteligência artificial.

Um negócio “escalável para qualquer país do mundo”, diz o CEO, que aponta três características diferenciadoras na empresa: a proposta, a tecnologia para tratar duplicados e o conhecimento do mercado.

Hugo Venâncio, 39 anos, é formado em gestão e cresceu e estudou em Leiria, onde continua a viver. Foi finalista, em 2020, do Prémio João Vasconcelos – Empreendedor do Ano, da Startup Lisboa.

Desde o arranque comercial da Reatia, em Maio de 2019, muito coisa está diferente. Diz-se com “pouco tempo, quase nenhum” e outras “responsabilidades”.

“O amor pelo projecto continua, o que muda é a escala”, afirma.

Está prevista uma nova ronda de financiamento para daqui a 18 meses.

A sede e operações deverão manter-se em Leiria.

O que faz a Reatia e o que dizem os investidores: “Vai prestigiar Portugal no mundo”
 
É uma plataforma digital agregadora de imóveis disponíveis no mercado. Diz poupar mais de duas horas de trabalho por dia aos agentes imobiliários. A Reatia recorre à inteligência artificial e à programação neurolinguística para agregar informação. Disponibiliza métricas e dados fidedignos sobre o mercado imobiliário, atualizados diariamente. Entre as ferramentas já desenvolvidas está o Property Valuation Pro, que faz a simulação de avaliação de imóveis.
 
José Serra, fundador e managing partner da Olisipo Way, explica a razão pela qual investiu na Reatia, num comunicado enviado à imprensa: “Quando uma solução tecnológica se torna numa componente importante para o desempenho profissional de alguém, como é o caso da Reatia para os profissionais do imobiliário, a confiança que inspira aos seus utilizadores é absolutamente crucial. A Reatia soube afirmar-se pela transparência e verdade, pela solidez e a inovação, pela liderança e capacidade de oferecer sempre mais do que estão à espera dela. Foi isso que tornou a Reatia num elemento intrínseco, que se encontra hoje na essência do próprio negócio imobiliário em Portugal. Foi esse valor que trouxe aos profissionais do setor que determinou o seu sucesso. A Reatia é hoje um bom exemplo do engenho português que vai certamente prestigiar Portugal no mundo”.
 
Rui Ferreira, vice-presidente da Portugal Ventures, afirma: “É com grande expectativa que a Portugal Ventures investe no projeto Reatia e na equipa liderada por Hugo Venâncio, que desenvolve, com recurso a IA, uma plataforma agregadora de imóveis particulares e de agências imobiliárias, inovadora para o acompanhamento do mercado imobiliário. Este investimento irá permitir que a Reatia introduza novos desenvolvimentos na sua plataforma, aumente a equipa e expanda a sua atividade em 2021, para novos mercados”.
 
Paulo Santos, fundador e managing partner da Wisenext, explica também as razões que levaram a empresa de investimento a apostar nesta startup: “liderada por promotores que apresentam uma maturidade rara na forma como gerem o negócio, desenvolveu métodos criativos de agregação de dados, potenciados pelo uso de tecnologia inovadora, incluindo a inteligência artificial e a visão computacional”. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tópicos: imobiliárioReatiatecnologia
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