Onde a mata se acaba e a cidade começa, o parque de merendas da Portela, na Marinha Grande, está inscrito a tinta permanente no livro de memórias da família de Rui Alves. “Vinha cá com o meu neto mais novo. Sentávamo-nos ali, às seis da tarde, mais dez menos dez minutos, apareciam lá esquilos, sempre. Ele divertia-se tanto, tanto, tanto. Agora já não há”.
Numa das primeiras tardes de sol após a depressão Kristin, Rui Alves volta a caminhar na direcção do pinhal, que fica a poucos metros de casa. Leva o cão pela trela e o sobrinho, ainda criança, segue-o a pé. Parece um dia de Primavera, mas não há como evitar o choque. “Isto está tão triste, tão triste”. No parque de merendas da Portela, um dos talhões mais antigos que sobreviveram ao incêndio de há nove anos, o temporal destruiu quase todas as árvores, que se encontram caídas ou decapitadas, com o tronco cortado pela metade. E os esquilos “já não aparecem”.
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