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Inteligência quê?

Caminhamos alegremente para a destruição massiva de postos de trabalho, empurrando hordas de pessoas para a miséria com um sorriso estúpido nos lábios – é o progresso, é o amanhã radioso!!

Alexandra Azambuja, publicitária Alexandra Azambuja, publicitária
15 de Outubro de 2020
em Opinião
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Alexandra Azambuja, publicitária
Alexandra Azambuja, publicitária15 de Outubro de 2020

Sobre o radioso mundo cibernético, tecnológico emuito robotizado?

Pois que sim.

Que sim que vai ser maravilhoso, o mundo da Inteligência Artificial.

Caminhamos alegremente para a destruição massiva de postos de trabalho, empurrando hordas de pessoas para a miséria com um sorriso estúpido nos lábios – é o progresso, é o amanhã radioso!!

É o caminho inexorável. Até batermos numa parede de cimento chamada realidade…

Foi assim com a obstinação terapêutica – pela qual se prolonga, através de meios artificiais e desproporcionais, a vida de um doente incurável.

Foi assim com a agricultura intensiva – ziliões de químicos e práticas insanas para produzir mais e mais depressa.

É assim com quase tudo a que chamamos “progresso”.

Mais cidades, mais pessoas por metro quadrado, mais horas de trabalho, mais coisas produzidas em menos tempo, mais tarefas, mais dinheiro e mais dívidas, mais dinheiro e mais dívidas, mais dinheiro e mais dívidas, mais dinheiro e mais dívidas, mais dinheiro e mais dívidas, mais, mais, mais, muito, muito, muito mais!

As pessoas, cada pessoa, fica pelo caminho.

O mundo enlouqueceu. Desorganizou-se. Afastou-se da dimensão humana.

Encerrado em labutas diárias feitas de aço e vidro, o homem esqueceu-se que o dia nasce e morre.

Que não se fabricam trinados de pintassilgo, embora se possam forjar.

Que morrer sozinho num hospital não é permutável por todos os negócios de milhões de euros feitos na vida.

Que a solidão do trabalho é uma consequência, não uma causa da nossa loucura colectiva.

Quando foi que perdemos o rumo?

Quando foi que achámos que a tecnologia podia substituir a relação, o abraço, a presença, o olhar?

Quando foi que saímos de perto do único relógio que interessa, o sol e a lua?

Quando foi que ficámos a olhar para o espelho de cabeça entre as mãos a perguntar como chegámos aqui?

Há um travão universal para a loucura, um antídoto lento, forte, minucioso e que não falha.

Chama-se reflexão crítica, aquela coisa que não seensina na escola, nem em muitas casas.

Dá um trabalho inimaginável.

Então mas se nos dizem que a Inteligência Artificial é tão boa, e vão ser dizimados milhões de postos detrabalho, é tão boa para quem?

Cada vez que nos tentam convencer de alguma coisa,esta pequena pergunta inocente é um bom amuleto:- Isto é bom para quem?

A manutenção de doentes sem reais possibilidades de recuperação de qualidade de vida, submetendo-os a um processo doloroso de morrer, exige uma atitude reflexiva por parte da sociedade e da medicina, na busca de uma solução adequada e apoiada na ética.

O encarniçamento terapêutico é bom para quem?

A ética, essa defunta do esquecido estudo da Filosofia,é a luz aprisionada na lanterna que fura a escuridão do tempo.

Está em extinção acentuada, talvez mantidacomo pequena chama bruxuleante em pequenas cavernas remotas, guardadas pelos últimos homens pensantes.

Enquanto isso, o mundo prossegue atordoado, dopado, insane, violento e sem sentido.

E isso é bom para quem?

Tópicos: Alexandra azambujaopinião
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