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Home Economia

Interiores: quanto de nós tem a nossa casa?

Conforto, estética, equilíbrio e resposta às nossas necessidades e rotinas são variáveis que pretendemos cumprir quando abrimos a porta da nossa habitação. Muitas vezes, são as dicas de um profissional que tornam o edifício num lar

Daniela Franco Sousa Daniela Franco Sousa
9 de Maio de 2026
em Economia
,

, (Foto: Daniela Franco Sousa)

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Chegar a casa e sentir conforto, tranquilidade, ter mobiliário, iluminação e decoração que nos transmitem boas energias é o ideal, quando, afinal, é este o refúgio da família depois de dias intensos de aulas ou de trabalho. Mas conseguir acertar nas escolhas de cores, formas, texturas, na disposição da cama, da mesa ou do sofá nem sempre é tarefa fácil.

Recorrer a ajuda profissional pode ser uma solução para conseguir a casa que melhor combina com o seu dono, iniciativa que não tem forçosamente de ser dispendiosa.

Na Marinha Grande, o Atelier Patrícia Carvalho está prestes a completar duas décadas de actividade, com desenvolvimento de projectos de design de interiores. “Já desenvolvi design de produto, de interiores de hotéis, mas presentemente faço sobretudo projectos para interiores de habitações particulares”, conta Patrícia. Em todos os casos, os espaços têm de ser minuciosamente estudados para reflectirem a personalidade, as necessidades e as rotinas de quem os frequenta, salienta a designer, exemplificando com um dos seus projectos mais recentes e mais “fora da caixa”: a decoração de um camarote VIP no Estádio da Luz.

“Fui solicitada por um grupo, da zona de Santarém, que detém várias empresas, que já trabalhava comigo, e que me convidou para este desafio diferente. Já conhecia a dona das empresas, o seu estilo, que fui absorvendo ao longo dos vários trabalhos que fui realizando com ela”, contextualiza Patrícia. “Nesta situação, o desafio era grande, porque num camarote, que é um espaço pequeno, tinha de representar todas as empresas do grupo. Tive mesmo que tirar partido de todas as valências que o design nos oferece”, salienta a especialista.

O desafio era maior, quando em causa estava um grupo tão vasto e que é composto por negócios de sectores tão diversificados, desde suinicultura, produção agroalimentar, vinhos, construção, entre tantos outros, conta Patrícia.

A opção foi “uniformizar todas essas identidades num só espaço”. “Tive de optar por uma linha muito clean, não podia evidenciar nenhuma identidade em particular. Não podia dar ênfase a nenhuma em especial, mas integrá-las num mesmo pacote, com a mesma leitura. E traduzir isto no estilo clean, muito elegante da cliente, com tons neutros, pastéis, com muitos brilhos, tons dourados e jogos de luz. Com quase 40 marcas associadas ao grupo, não podia criar ruído visual”, conta Patrícia, satisfeita com a excelente recepção. “A cliente gostou e o camarote já é uma referência.”

Com trabalho que tem vindo a ganhar projecção ao longo de quase 20 anos, Patrícia explica que a maioria dos clientes deposita confiança no atelier e mostra -se flexível com as soluções propostas. Percebem que “design é uma ciência e que não é só uma questão de gosto”.

“A nossa formação inclui ergonomia, psicologia da cor, iluminação, implica saber como funciona toda a organização de um espaço, e nele outros espaços de circulação. A estética é só uma percentagem do projecto”, realça Patrícia. E para chegar à solução mais adequada para cada cliente, é preciso escutá-lo bastante. “Na primeira reunião, quase mais não faço do que ouvir o cliente. Gosto de analisar a pessoa, o seu estilo de roupa, ouvir os seus objectivos e as suas necessidades. Se aprecia um estilo ou a mistura de estilos, como se organiza durante o dia, onde passa mais tempo quando está em casa, se vê mais TV de dia ou de noite, se há crianças em casa, etc.”

Projectos ajustados a cada carteira
Desenvolver um projecto de decoração de interiores não tem forçosamente de ser dispendioso, já que tanto pode ser pensado para usar do mais acessível mobiliário como para usar mobiliário de marca. “Temos de ir ao encontro da disponibilidade e das necessidades do cliente. E existe hoje em dia boa oferta e muito diversificada”, observa Patrícia. “Por vezes, até conseguimos preços mais competitivos, quando o designer vai directamente ao encontro do estufador ou do carpinteiro. Conseguimos personalizar os artigos se formos directamente à fábrica”, prossegue a especialista.

“Tenho clientes que, depois do trabalho realizado, dizem que ainda conseguiram poupar.” “Desde que o tapete e que o cadeirão estejam no sítio certo, que haja organização do ambiente, que consigamos orientar o olhar da pessoa para uma certa zona, criar um certo impacto, isso não tem que acontecer com artigos caros.”

Uma questão de saúde
A calma, a tranquilidade que se respira quando se entra num espaço é muito mais relevante do que se pode à partida pensar. “Chegar a casa, sentir-se confortável e gostar do que se tem à volta, é fundamental”. Pode influenciar a saúde e não apenas a saúde mental. “É provável que num quarto onde a cabeceira esteja virada a norte, e do outro lado da parede não haja construção, exista mais condensação, mais humidade, mais bolores”. Esse constrangimento, que tem impacto sobre a saúde dos inquilinos, pode ser evitado se existir um trabalho articulado e complementar desde início, ainda em fase de arquitectura, com o designer de interiores, defende Patrícia. Os resultados serão melhores até para se escolherem melhor os pontos de iluminação, a zona da TV, entre outras situações concretas, exemplifica ainda.

Tópicos: economiaimobiliáriointerioresMarinha Grande
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