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Inundações em Leiria obrigaram à retirada de pessoas. “É um mar autêntico”

Inundações em Leiria obrigaram à retirada de pessoas. "É um mar autêntico”. Moradores foram levados para locais seguros

Jacinto Silva Duro Jacinto Silva Duro
5 de Fevereiro de 2026
em Sociedade
Imagens das inundações em Leiria
Imagens das inundações em Leiria
Imagens das inundações em Leiria
Imagens das inundações em Leiria
Imagens das inundações em Leiria
Imagens das inundações em Leiria
Imagens das inundações em Leiria
Imagens das inundações em Leiria
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Vários pontos das zonas ribeirinhas de Leiria estão inundados, com os cursos de água a transbordarem em locais de leito de cheia como a Ponte das Mestras, o Parque Verde de Leiria ou o Parque da Almuinha Grande, nas proximidades do Estádio Municipal Magalhães Pessoa.

A chuva intensa e persistente da tempestade Leonardo obrigou à evacuação de diversas áreas próximas à cidade.

Clarinda e José moram numa zona baixa à entrada de Leiria, num ponto onde a Linha do Oeste se cruza com os rios Lis e Lena.

Foram retirados do seu lar por precaução na última madrugada. Primeiro, chegaram os bombeiros, depois os militares da Força Aérea levaram o casal septuagenário para o Centro Pastoral da Cruz da Areia, para junto de outros 64 desalojados.

Alguns, como eles, retiraram suas lares devido à subida dos rios Lis e Lena e outros que já ali foram encontrados há uma semana, na sequência da tempestade Kristin.

“O meu marido teve um tumor na garganta e foi operado e está prestes a começar a hemodiálise”, conta, cansada, a mulher. À volta da casa onde deixaram as duas cadelas, que atividades como filhas, é “um mar autêntico”.

A moradia tinha sofrido com a tempestade de há oito dias e parte da garagem desabou e foi parcialmente reparada pelo filho que habita em Sintra, mas foi a subida da água, como dizem nunca ter visto, que acabou por tirá-los para fora do lar. 

“Os nossos terrenos parecem um lago”, afirma a moradora que só pede que tudo acabe para poder voltar para os seus animais e para a rotina do quotidiano e alguma ajuda para reparar o telhado, cujos buracos estão alagar a casa. 

Não deixa de terminar a conversa sem, contudo, deixar uma palavra de preço pelos operacionais da Força Aérea Portuguesa que os transportaram para a Cruz da Areia.

“Sabemos que a Protecção Civil apenas requisitou quatro militares na Kristin, mas por aquilo que me disse, houve muitos, muitos, que se deslocaram para a nossa zona, à paisana, para nos acudir.”

Em São Romão, Leiria, Jorge Santos, proprietário do café O Juvenil, olha para o outro lado da rua em frente ao estabelecimento, onde a água do rio Lis impede o acesso às instalações da Protecção Civil Municipal e da Escola Profissional de Leiria.

Diz que não recebeu que a inundação chegou ao seu prédio, que perdeu telhas e sofreu danos numa chaminé durante a passagem da tempestade Kristin. 

A última vez que o curso de água subiu tanto terá sido “há uns 18 anos”. “Não tenho coleta. A Proteção Civil não me disse nada, por isso, estou descansado.”

Ao seu lado, José António Jesus Silva, que habita numa moradia a dois passos d’O Juvenil, segura uma cadeira de plástico que teima em tentar fugir da esplanada, levada pelo vento.

Também não está preocupado com a subida da água que flui em torrente desde o estacionamento do pavilhão desportivo da Juve Lis, que parece uma ilha no meio de um grande lago de cor castanha.

“Na Ponte das Mestras é que aquilo é complicado”, dizem, acenando a cabeça.

A tempestade da semana passada é que não lhes sai da cabeça.

“Mas agora temos de ter esperança”, concordam ambos.

Tópicos: cheiasinundaçõesLeiriaLeonardo
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