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Home Viver

João Costa Ferreira lança álbum dedicado a Armande de Polignac

Redacção/Agência Lusa Redacção/Agência Lusa
27 de Fevereiro de 2026
em Viver
O músico é o novo director do Festival Leiria Cidade Criativa da Música

O músico é o novo director do Festival Leiria Cidade Criativa da Música (Foto: Ricardo Graça)

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O pianista português João Costa Ferreira e o francês Bruno Belthoise editam hoje o álbum Armande de Polignac – Piano works, com primeiras gravações da quase esquecida compositora francesa, cuja qualidade surpreendeu ambos.

Editado pela Grand Piano Records, etiqueta da editora Naxos, o álbum revela composições de Armande de Polignac (1876-1962) para piano solo e piano a quatro mãos.

Desafiado a investigar e recuperar a obra de “uma compositora muito desconhecida na história da música”, Belthoise lançou-se, desde a pandemia, numa pesquisa em bibliotecas, arquivos e coleções privadas, à procura de partituras de Armande de Polignac.

“Encontrei obras de grande qualidade”, entre elas uma em Lisboa, revelou à agência Lusa.

“É um manuscrito de uma obra que nunca tinha sido editada e que está neste disco”. “Cloches” (“Sinos”, em português), com dois andamentos, foi descoberto numa colecção particular.

“Ela [Armande] tinha uma tia casada com alguém da família Barros de Assis e fez várias viagens a Portugal para visitar a sua tia”. Nesse contexto, deixou manuscritos no espólio da família. Entre eles estava “Cloches”, detectado por outro investigador, amigo de Bruno Belthoise.

Quase todas as obras de Armande de Polignac – Piano works são primeiras gravações mundiais, tendo Belthoise convidado João Costa Ferreira – natural de Leiria e desde 2005 a viver e trabalhar em Paris – para o acompanhar nos temas a quatro mãos, que compõem cerca de metade do disco.

Na última década, ambos têm colaborado e editado discos dedicados à música portuguesa e francesa. Desta vez, a parceria resultou na descoberta de uma autora que, apesar de quase esquecida, “se revela excepcional”.

“A qualidade musical ultrapassa muitas vezes obras de compositores de que, nas universidades, falamos, trabalhamos, estudamos, analisamos”, destacou o pianista português à agência Lusa. Polignac “dominava as técnicas composicionais, contrapontísticas, estilísticas da época, do modernismo”.

Muito inspirada “num oriente imaginado que chegava à Europa na altura”, Armande revela-se, “nesse domínio do modernismo, do orientalismo, uma compositora excepcional”.

Bruno Belthoise encara-a como “a compositora francesa que faz a ligação entre romantismo e modernismo, simbolismo e impressionismo”, estabelecendo um paralelo “com {a compositora] Mel Bonis”.

Apesar de algumas obras de Armande de Polignac se encontrarem gravadas isoladamente, este é o primeiro registo integralmente dedicado ao seu repertório para piano.

“Estou muito satisfeito com este álbum. Vai ser muito importante para a música francesa e para o conhecimento da sua obra. Com certeza, dentro de cinco anos, outras obras de piano, de música sinfónica ou de ballet vão ser gravadas, porque é assim quando há um disco marcante”, destacou.

Face à versatilidade da compositora, também pianista e maestrina, João Costa Ferreira enfatiza: “Este disco, nesse sentido, é um importante contributo para mostrar o papel das mulheres no mundo da música, neste caso, no período moderno francês”.

O músico português realçou ainda o facto de estas obras terem sido “muito poucas vezes – ou mesmo nenhuma vez – tocadas em concerto”.

“Dá-me muito prazer, prazer físico, fisiológico, de tocar, sentir as vibrações, sobretudo, de descobrir algo, um som que nunca ouvi”, experiência “completamente diferente de tocar um ‘Noturno’ de Chopin, de que há mil gravações”.

“É descobrir um som novo, é ter de criar a primeira interpretação que, provavelmente, pode ser uma referência para outras gravações que vierem a existir”, concluiu.

O disco Armande de Polignac – Piano works foi premiado com um apoio da Fundação Singer-Polignac e será apresentado na Embaixada de Portugal em Paris, a 16 de Março, no âmbito do programa “Compositoras Inspiradas”, em que também será estreada uma obra encomendada à portuguesa Inês Badalo.

Tópicos: João Costa FerreiraLeiria
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