Para João Severo, seguir uma carreira cinematográfica já estava “pré-determinado” desde que se lembra. Agora, aos 23 anos, o realizador e argumentista batalhense é um dos responsáveis pelo projecto colectivo académico A Hora do Chico!, distinguido com um Prémio Motelx.
Sidney Lumet, Edgar Wright e Wes Anderson são apenas alguns nomes que o jovem lista como grandes inspirações que fomentaram o seu interesse pelo mundo do cinema. Mas foi no meio familiar, com os DVDs oferecidos todos os Natais pela tia Sandra, “apaixonada por cinema”, e as sessões semanais com os pais, que João desenvolveu a sua paixão pela sétima arte.
Licenciado em Cinema e Artes dos Media pela Universidade Católica de Lisboa, foi no contexto do ensino superior que trabalhou nos projectos que agora se destacam no seu repertório, como a série Pena Negra, de 2024, e A Hora do Chico!, do ano passado.
No futuro, desafia-se a explorar a intersecção entre a identidade cultural portuguesa e as convenções de géneros cinematográficos. “O audiovisual português tem um enorme potencial para alcançar novos públicos sem perder a sua identidade. E o meu objectivo é exactamente esse: é desenvolver histórias enraizadas na nossa cultura, mas com uma abordagem visual e narrativa que as tornem acessíveis e apelativas a um público internacional.”
“Numa era em que os espectadores são cada vez mais exigentes”, João interessa-se em “explorar formas inovadoras de contar histórias que jogam com essas expectativas que os espectadores têm e equilibrando autenticidade, com impacto emocional, sem nunca perder a verdade por trás”.
A Hora do Chico!, realizado em conjunto com Rafael Sá Carneiro, foi recentemente galardoado com o Prémio “Melhor Curta de Terror Portuguesa” no festival Motelx, uma distinção que João admite ter sido inesperada. A curta-metragem conta a história de um apresentador de um programa infantil ao serviço do Estado Novo transmitido nos anos 70, que se vê confrontado com um dilema: assassinar um colega em directo ou perder a aprovação do pai. O projecto, que mistura sátira política, thriller psicológico e comédia negra, foca-se na “ansiedade geracional portuguesa e na perpetuação de ciclos tóxicos”, explica João.
“Enquanto jovens portugueses a procurar os nossos passos na arte, enfrentamos diariamente expectativas que nos tentam moldar, tanto sociais como familiares. E este filme é sobre esse medo de falhar, mas também sobre a coragem de romper o que nos foi imposto”. Acrescenta que o filme não é apenas “uma reflexão sobre o passado, mas também um alerta sobre o presente e o futuro, numa era em que as ideias autoritárias estão a voltar a ganhar força”.
Sobre próximos projectos, o realizador responde assim: “beatas de aldeia, arroz de pato e comédia negra”.












