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Home Crítica

Cinema | Backrooms: quando a internet encontra o cinema

Kane Parsons pegou num mito da internet, fez 24 episódios no YouTube e agora uma longa-metragem. Tiago Iuri explica o que Backrooms ganha — e o que perde.

Tiago Iúri, realizador Tiago Iúri, realizador
31 de Julho de 2026
em Crítica
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Tiago Iúri, realizador
Tiago Iúri, realizador31 de Julho de 2026

Afinal, o fenómeno Backrooms começou muito antes do cinema, alimentado por imagens enigmáticas que circulavam nos primórdios da internet e pela imaginação coletiva que lhes deu significado.

Em 2022, Kane Parsons transformou esse imaginário numa série de 24 episódios publicados no YouTube.

O primeiro, The Backrooms (Found Footage), rapidamente se tornou viral, acumulando dezenas de milhões de visualizações e conquistando uma receção amplamente positiva.

O filme expande esse universo sem perder a sua identidade.

Uma das maiores surpresas continua a ser o próprio Parsons. Além de realizar, compõe também a banda sonora, num verdadeiro exercício de “one man show”.

A música é um dos pilares da experiência, amplificando a tensão e o mistério sem nunca se impor em demasia. Como criador, é impossível não sentir inspiração perante alguém que domina tantas áreas da produção artística com uma visão tão coesa. Também a direcção artística merece destaque.

O design dos espaços transforma o absurdo em fascínio: portas que conduzem ao vazio, objetos colocados em posições impossíveis, divisões interrompidas a meio ou parcialmente engolidas pela arquitetura criam uma lógica visual desconcertante.

É um filme que faz do cenário uma personagem, oferecendo uma identidade estética rara para quem procura algo verdadeiramente diferente.

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No final, Backrooms funciona sobretudo como uma poderosa metáfora sobre o desconhecido, a solidão e a necessidade humana de encontrar sentido.

Não esperem respostas para todos os mistérios. O seu maior triunfo está precisamente em deixar perguntas por responder, permitindo que o filme continue a ecoar muito depois dos créditos finais e convidando-nos a regressar mentalmente aos seus corredores infinitos.

Tópicos: BackroomsCinemacrítica de cinemafound footageKane Parsonsterroryoutube
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