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Leirienses em Itália deixam avisos sobre Covid-19 (e cantam nas varandas)

Os testemunhos de quem vive num país em quarentena obrigatória, com 1.266 óbitos provocados pelo novo coronavírus

Cláudio Garcia Cláudio Garcia
13 de Março de 2020
em Sociedade
Leirienses em Itália deixam avisos sobre Covid-19 (e cantam nas varandas)
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Para aliviar o sentimento de reclusão, há música. “Na nossa rua, começaram a tocar guitarra e outros instrumentos. Estamos à janela e nas varandas a cantar juntos e a aplaudir”, conta Alina Mansukhlal, estudante de mestrado (Filosofia) em Turim.

Com Itália em quarentena obrigatória, os avisos de leirienses que lá vivem são preocupação genuína de quem não quer Portugal a cometer os mesmos erros.

“Os italianos estão, finalmente, a perceber que a única forma de ultrapassar [a pandemia] é cumprir as regras”, afirma ao JORNAL DE LEIRIA. 

O trabalho (part-time na universidade, babysitting e sessões fotográficas) que Alina mantinha em simultâneo com as aulas está em suspenso e a vida também.

Em Itália, ninguém sai de casa excepto por motivos justificados e há polícia nas ruas a zelar pelo isolamento, válido para todo o país.

Entre os 1.266 óbitos em Itália provocados pelo novo coronavírus, está a avó de um amigo de Alina Mansukhlal. A portuguesa natural de Leiria acredita que é “o momento para reflectir na nossa condição como indivíduos no mundo”, porque todos temos “uma responsabilidade colectiva” e “as acções perante os outros podem mudar uma situação que é global”, enquanto “o egoísmo” se torna “destrutivo”.

João Miguel Ferreira está em teletrabalho há três semanas

De Itália, chegam testemunhos dramáticos, de médicos e não só, sobre o surto de Covid-19. A televisão, os jornais, os telemóveis enchem-se de relatos e apelos em que prevalece a emoção.

“É a pura realidade”, explica João Miguel Ferreira, que vive e trabalha em Milão, na Lombardia, o epicentro do contágio em Itália. “A situação é realmente grave. Neste momento, nos hospitais, devido à falta de recursos, têm de decidir se dão um auxiliar respiratório, um ventilador, a uma pessoa de 30 ou 40 anos ou a uma pessoa de 60 anos. É [do] que estamos a falar”.

Nem a proporção de infectados – em Itália contam-se 60 milhões de habitantes e 17.660 diagnósticos relacionados com o novo coronavírus – muda a perspectiva.

“O problema é que o sistema de saúde não está preparado para receber um conjunto de doentes de forma tão exaustiva em termos quantitativos”, salienta o consultor da Ernst & Young, natural de Leiria, que vai na terceira semana a trabalhar à distância – a empresa antecipou-se às medidas do governo italiano – e só trata com clientes e colegas de equipa via telemóvel e computador.

“Nós, os latinos, temos a mania de que somos rebeldes. Se os profissionais de saúde alertam, é por algum motivo. O governo [português] não está a actuar sozinho, está em coordenação com a Organização Mundial de Saúde. Temos de respeitar. E cada um de nós deve ser responsável e ter noção de comunidade e bem comum”, salienta.

Sílvia Pereira vive em Salerno

Mais a sul, na comuna de Salerno, Sílvia Pereira fala de carros de polícia que passam de vez em quando com altifalantes e a mensagem a lembrar o estado de alerta e as medidas de prevenção a adoptar pelos cidadãos.

Ir à rua só ao supermercado mais próximo, farmácia ou médico, as excepções prendem-se com actividades essenciais e implicam justificação por escrito.

“Não aligeirem isto, não tem nada para aligeirar. Não cometam os mesmos erros que os italianos cometeram”, avisa Sílvia Pereira, originária da Batalha.

Tópicos: coronavíruscovid-19itáliaLeiria
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