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Home Crítica

Letras | Mulheres à beira de um ataque de nervos

Madalosso abre com a revelação do rapto de uma menina; Slimani entra a matar com a morte de duas crianças. As atrocidades são da autoria das amas. Estas mulheres, com amor incondicional às crianças, vão desvendando fragilidades das suas vidas pessoais, privadas dos filhos que não nasceram no seu próprio ventre

Ana Moderno, autora e conservadora de museus Ana Moderno, autora e conservadora de museus
14 de Agosto de 2026
em Crítica
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Ana Moderno, autora e conservadora de museus
Ana Moderno, autora e conservadora de museus14 de Agosto de 2026

Se os planos para este mês incluírem boas horas de toalha estendida no areal, então parece-nos conveniente trazer mais que um livro para folhear com a brisa do mar.

Duas autoras de proveniências distintas, a mesma temática: Giovana Madalosso é brasileira; Leïla Slimani é franco-marroquina. Suite Tóquio, da primeira, foi apresentado em 2021; Canção Doce, da segunda, revelou-se em 2017. Ambos os romances são premiados e continuam a somar edições.

Madalosso abre com a revelação do rapto de uma menina; Slimani entra a matar com a morte de duas crianças. As atrocidades são da autoria das amas: Maju, em Suite Tóquio, e Louise, em Canção Doce. Estas mulheres, com amor incondicional às crianças, vão desvendando fragilidades das suas vidas pessoais, privadas dos filhos que não nasceram no seu próprio ventre. São elas que nos abrem a janela para a sociedade não privilegiada dos dois países, mostrando os subúrbios de São Paulo e de Paris e o quotidiano de quem trabalha para as famílias ricas.

Do outro lado da narrativa (que Madalosso apresenta a duas vozes) estão as mães verdadeiras das crianças. Fernanda – no Brasil – é uma empresária bem sucedida; Myriam é uma advogada brilhante. Alcançam o sucesso porque podem pagar uma ama a tempo inteiro.

Em ambos os livros, os homens têm pouca expressão, apesar de serem fundamentais na interpretação dos acontecimentos. É às mulheres que é dada a plena voz, estejam elas à beira de um ataque de nervos ou com eternos problemas de consciência sobre o tempo que dedicam à profissão e roubam aos filhos. A genial dupla de autoras conhece-as bem e, com elas, retrata com verdade e ironia as disparidades sociais dos seus países.

 

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