PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assine desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Home Crítica

Literatura | Luís Miguel Nava, poesia

“Quem matou Luís Miguel Nava?” se perguntava em Maio de 1995 e aí o fim da escrita de um dos poetas mais promissores do seu tempo com apenas 37 anos

Jorge Vaz Dias, poeta inacabado, amante das artes e da vida em geral Jorge Vaz Dias, poeta inacabado, amante das artes e da vida em geral
22 de Janeiro de 2021
em Crítica
Share on FacebookShare on Twitter
Jorge Vaz Dias, poeta inacabado, amante das artes e da vida em geral
Jorge Vaz Dias, poeta inacabado, amante das artes e da vida em geral22 de Janeiro de 2021

Sobreviverem metáforas que explodem os nossos sentidos e a poesia um caminho para a imortalidade e um devir onde todos nós os inacabados poetas bem como os desajustados amantes do impossível, nos arrebatamos em espelhos ao infinito.

Sim, como espelhos que somos uns dos outros tal como de nós próprios.

O mar, a memória, o sangue, o céu, o espelho, os ossos, as cidades, o sorriso, o rapaz.

A pele que é céu do coração

Um poeta dos sentidos, e do erotismo mais gracioso e o outro, visceral, do nojo e da animalidade humana.

A história escreve-se ao contrário e com o prenúncio do seu fim trágico na poesia que o antecipava.

Há uma pedra feroz,

Um rapaz,

Há o olhar do rapaz atado à pedra,

O olhar do rapaz, a minha casa,

O olhar do rapaz às vezes é a pedra.

Este livro é uma recolha possível e muito bem configurada da história de vida em poesia do autor. Escatológico, cronologicamente cainhamos no seu Ser poético, no homem que se perde de amores e que se rebenta em sangue nas rochas como mar, ou que percorre “assim a praia ao longo do seu braço” do rapaz.

A pessoa, objecto do seu amor é pecado por desejo. Amores iguais aos de outros tantos, mas mais rápido e mais duradouro, mas pejado de impossíveis sociais. A homossexualidade, a igualdade e a diferença com que se encontrava nas viagens ao interior de si, dos que desejava e das cidades de lá fora e cá dentro. Lisboa, Bairro Alto, Bruxelas, Marraquexe.

Fora casado com a poeta Rosa Oliveira de quem se separou, para anos mais tarde ser professor de Português no colégio alemão. Terminado o seu mestrado, fica como assistente na Faculdade de Letras. Irá depois para Oxford como Leitor mas renunciando à solene universidade britânica muda-se para a infernal-dependente Bruxelas onde se perde nas paixões da noite belga que também imagina o Magrebe, em especial Marrocos. Ali figuraria a última ponte entre o ser e a pele-ossos-carne.

A obra desaparecida dos libidinosos silêncios gritados em vida, de uma personalidade solar e homo-erótica trava-se neste livro, de memória. Uma vocação que tinha como paladino Eugénio de Andrade (com quem trocou cartas e até rasgando poesia sua por não se achar jamais da dimensão do seu escritor preferido) e que transbordou a humanidade sobre as letras que desnudavam páginas em branco como Herberto Hélder ou mesmo Al Berto.

Eu amo assim: com as mãos, os intestinos. Onde ver deita folhas

O testamento deixado aos amigos Gastão Cruz, Carlos Mendes de Sousa e Fernando Pinto Amaral quando tinha 33 anos é agora a obra transformada neste livro e o projecto da Fundação Luís Miguel Nava. Neste livro acredita-se a reabilitação da memória e daquela fundação perdida como a pele que passou do tempo.

Tem imensos poemas inacabados, mas fios invisíveis que se interligam, mesmo que a noite seja a mais bebida ou enovoada. Imaginemos Bruxelas e os terrores interiores estancados no prazer da expulsão. De trazer do coração e dos sentidos à pele na pele alheia, no seu interior contra as paredes ou o céu que é já ali se na negritude tudo se pudesse ver com os mesmos olhos.

Este garoto é fácil compará-lo a um campo de relâmpagos

encarcerando um touro. Através da nudez vêem-se os astros.

É onde o poema interioriza

a sua própria hipérbole, a paisagem.

Movem-se os tigres como câmaras na areia, prontos eles

também a deflagrarem. A manhã

espanca a praia, é impossível descrevê-la sem falar

dos fios deste poema

que a cosem com a paisagem.

E no fim a morte. O amor-ladrão-rapaz, amante ou prostituto (desconhece-se) que caiu na sua armadilha. Ele jamais se suicidaria, mas viver nunca seria suficiente. Vivia para se perder de tudo o que não encontrava em si. Viveu tudo demasiado rápido e para sempre. Até um amor miúdo magrebino que caiu na sua armadilha.

A luz que desse sangue irradiava,

como se nele o sol tivesse mergulhado

e os raios nele se houvessem diluído,

atravessava-me os poros e fazia-me cantar o coração.

Tratava-se de uma luz que nada tinha a ver

 com a piedade ou a esperança, mas cuja música,

sem me passar pelos ouvidos, ia direita ao coração,

que no dos animais acabados de abater

 por momentos encontrava um espelho ainda quente…

Tópicos: críticaJorge Vaz diasliteraturaLuís Miguel Navaopiniãopoesiapoeta
PartilharTweet

Mais informação

Opinião

A (ir)relevância de lamber um ecrã

27 de Outubro de 2026
Paulo José Costa, psicólogo clínico
Opinião

Stress a stress, enche o copo

27 de Outubro de 2026
Cláudia Camponez, psicóloga educacional
Opinião

Data centers e a fome por recursos

26 de Outubro de 2026
Ana Pires, Doutorada em Eng.ª do Ambiente
Próxima publicação
Covid-19: CDOS revela 1018 novos casos no distrito de Leiria

Covid-19: CDOS revela 1018 novos casos no distrito de Leiria

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

Gonçalo Lopes escreve livro sobre a experiência com a tempestade Kristin

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

MAIS VISTOS

Livro relata a experiência do autarca com a crise Kristin

Gonçalo Lopes escreve livro sobre a experiência com a tempestade Kristin

28 de Outubro de 2026
Factos foram julgados no Tribunal de Leiria

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

28 de Outubro de 2026
A categoria de longas teve espaço em Pombal pela primeira vez e premiou Óculos de Sol Pretos

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

28 de Outubro de 2026
Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

28 de Outubro de 2026
Um espectáculo interactivo e temático sobe ao castrelo de Leiria no sábado

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

28 de Outubro de 2026
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assine desde 0,39€ por semana
  • Subscreva as newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Estatuto editorial
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • 50 anos do Poder Local
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • Palavra de honra
  • Crítica
  • Opinião
  • Fotogalerias
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?