PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assine desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Home Sociedade

Manipulação, isolamento e medo dominam vítimas de violência

Testemunha critica que mulheres sejam obrigadas a sair de casa

Elisabete Cruz Elisabete Cruz
16 de Fevereiro de 2019
em Sociedade
Manipulação, isolamento e medo dominam vítimas de violência
Share on FacebookShare on Twitter

Desde o início do ano, seis mulheres e uma criança foram assassinadas em contexto de violência doméstica. No domingo, a GNR de Pombal deteve um homem de 38 anos em flagrante delito.

“Os militares, quando chegaram ao local, depararam-se com o suspeito a ameaçar a vítima, com a faca na mão” e impediram “que este realizasse a intenção das suas ameaças, tendo detido o agressor e apreendido a arma branca que ostentava durante as agressões à vitima”, refere uma nota de imprensa da GNR.

Os casos de violência doméstica são frequentes: só no ano passado foram apresentadas quase 30 mil queixas em Portugal, o que perfaz uma queixa de vinte em vinte minutos, segundo revelou o Expresso. No distrito de Leiria, em 2018, foram assassinadas seis mulheres pelos seus companheiros.

Ana, chamemos-lhe assim, teve melhor sorte, apesar de todo o trauma que sofreu ao longo de cerca de dois anos. Casados há vários anos, com três filhos, hoje, aos 49 anos, admite que o marido já ia dando indicações de alguma agressividade, quando discutiam e “partia as coisas em casa”.

As agressões físicas começaram quando deixou de trabalhar e se “meteu no álcool e nas drogas”. “Houve situações em que me mandava ao chão, apertava-me o pescoço e batia-me com a cabeça. Não sei por que o fazia”, relata. Os filhos menores apercebiam-se. Mas depois da violência vinha a “remissão”.

Aos poucos, Ana foi sofrendo em silêncio agressões após agressões, cada vez mais, com maior gravidade. O medo passou a dominá-la. O agressor manipulava-a e conseguiu afastá-la do círculo familiar e de amigos. “Fui caindo na teia dele e das agressões físicas passou para a psicológica: dizia que não valia nada, que não era boa mãe… Passei a ser um robot. Ia trabalhar e voltava para casa.”

Não tinha coragem de denunciá-lo. Receava que soubesse e lhe batesse mais e, sobretudo, temia pelo futuro dos seus filhos. “Não sabia o que podia acontecer.” A situação tornou- se insustentável para Ana, quando o marido passou a agredir o filho.

“Comecei por tentar dizer a uma familiar, mandando umas ‘indirectas’, referindo que as coisas não andavam bem, mas ela não percebeu.”

Um dia, tomou coragem e contou a uma amiga. Foi acompanhada pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima e denunciou o caso às autoridades. “Não tinha para onde ir. Escondia-me. Fui ameaçada de morte. Houve um dia em que chamei a GNR. Depois dos militares falarem com ele disseram-me que podia regressar a casa, porque ele já estava mais calmo. Recusei. Sabia que se entrasse poderia ser morta.”

Ana lamenta que, apesar do trabalha da GNR, o tribunal nunca tivesse aplicado a pulseira electrónica ao ex-marido, para garantir que não se aproximava de si. Foi ela que saiu de casa com os filhos. “Ele perseguia-me. A única coisa que a polícia dizia era para telefonar se precisasse de ajuda. Até o tribunal retirá-lo de  [LER_MAIS] casa, fui eu que tive de arranjar alternativa onde ficar com os filhos.”

“Ele, como agressor, é que foi o protegido”, critica, revelando que foi ainda discriminada no trabalho, quando souberam que era vítima de violência doméstica. Foi despromovida e acabou por chegar a acordo para sair de uma empresa onde estava há 30 anos.

Vergonha a culpa

Ana confessa que sentiu “vergonha” e “culpa”. “Cheguei a pedir desculpa ao meu filho, porque achava que a culpa era minha.” Hoje, depois do divórcio, mãe e filhos têm acompanhamento psicológico e muita ajuda familiar, sobretudo dos pais, e de amigos. Regressar a casa foi difícil.

“Vêm muitas vezes à memória os locais onde fui agredida.” “É uma revolta enorme saber que são as mulheres que têm de sair de casa e esconderem-se com os filhos. Não é justo. Eles é que deviam estar isolados”, afirma, considerando que a justiça pouco faz pelas vítimas.

Ana tem um namorado, mas ainda não se sente preparada para voltar a viver com alguém. “Acredito que posso ser feliz. Já saí da minha zona de conforto, mas ainda estou a recuperar. Há momentos que ainda vou abaixo.”

A história de Ana é o reflexo de tantas outras. Catarina Louro, técnica de apoio à vítima na Associação Mulher Século XXI, em Leiria, explica que a “violência doméstica baseia-se num círculo composto por três fases: atenção, agressão e lua-de-mel”. Este círculo “cria dependência emocional sem que as vítimas tenham essa percepção”.

Ao mesmo tempo, “o agressor promove o isolamento da vítima, para que possa controlar tudo”. “Torna-se difícil sair deste círculo. As mulheres têm vergonha e assumem que falharam. Sentem-se muito culpadas”, afirma Catarina Louro, salientando que o agressor aproveita a fase das pazes para fazer a mulher sentir que é a culpada das agressões que sofre.

A escalada da violência vai subindo e a vítima passa a ser sobrevivente. A técnica alerta para a sociedade estar atenta aos sinais e o círculo mais próximo mostrar disponibilidade para ouvir.

Para Catarina Louro, o quadro legal português é suficiente, se for aplicado convenientemente, e defende o reforço do trabalho em rede de todas as instituições e forças policiais.

 

Tópicos: agressãomulherespolíciasociedadeviolência doméstica
PartilharTweet

Mais informação

Reincidente em violência doméstica detido após agredir polícia e ameaçar a mulher em Pombal
Sociedade

Reincidente em violência doméstica detido após agredir polícia e ameaçar a mulher em Pombal

28 de Outubro de 2026
As primeiras seis viaturas já foram entregues a igual número de corpos de bombeiros da região de Leiria
Sociedade

Região de Leiria aprova concurso para comprar seis viaturas e entregar a bombeiros

27 de Outubro de 2026
Mau tempo: Leiria com despesa extraordinária de 9,3 ME na recolha de resíduos
Sociedade

Mau tempo: Leiria com despesa extraordinária de 9,3 ME na recolha de resíduos

27 de Outubro de 2026
Próxima publicação
“Agora há pratos, mas são outros”

“Agora há pratos, mas são outros”

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

Rio Arunca junto a Pombal não terá açude

Reincidente em violência doméstica detido após agredir polícia e ameaçar a mulher em Pombal

Trocado por miúdos | A razão mora onde?

MAIS VISTOS

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

28 de Outubro de 2026
Um espectáculo interactivo e temático sobe ao castrelo de Leiria no sábado

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

28 de Outubro de 2026
Segundo a autarquia, as comportas provocam eutrofização no Arunca

Rio Arunca junto a Pombal não terá açude

28 de Outubro de 2026
Reincidente em violência doméstica detido após agredir polícia e ameaçar a mulher em Pombal

Reincidente em violência doméstica detido após agredir polícia e ameaçar a mulher em Pombal

28 de Outubro de 2026
Trocado por miúdos | A razão mora onde?

Trocado por miúdos | A razão mora onde?

28 de Outubro de 2026
Marta Bento, estudante de Relações Internacionais
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assine desde 0,39€ por semana
  • Subscreva as newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Estatuto editorial
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • 50 anos do Poder Local
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • Palavra de honra
  • Crítica
  • Opinião
  • Fotogalerias
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?