O Ministério Público pediu, esta tarde, pena suspensa para uma mulher, funcionária da Junta de Freguesia de Pelmá, em Alvaiázere, que confessou ter ateado o fogo que deflagrou na madrugada de 4 de Outubro do ano passado na localidade.
Em tribunal, a arguida assumiu praticamente todos os factos que lhe foram imputados pela acusação, segundo a qual, naquela noite, após um desentendimento com a mãe, saiu de casa com um isqueiro e acendalhas. “Foi apenas uma”, assegurou a mulher, que admitiu ter provocado o fogo. Questionada sobre os motivos, limitou-se a dizer: “Estava muito chateada com a minha mãe”.
A mulher contou ainda que, após atear as chamas, regressou a casa e foi para a cama, sem se aperceber da chegada dos bombeiros, contrariando a versão da acusação que referia que tinha ficado a observar o incêndio.
No combate às chamas, que consumiram cerca de 3.000 metros quadrados, estiveram envolvidos 25 operacionais, apoiados por sete viaturas, precisou Carlos Guerra, comandante sub-regional de Leiria da Protecção Civil. De acordo com a acusação, o fogo provocou prejuízos estimados em 524,84 euros, a somar às despesas relacionadas com o combate ao incêndio, calculadas em 554 euros.
Nas alegações finais, a procuradora do Ministério Público afirmou que o crime de incêndio florestal na forma agravada, pelo qual a arguida responde, “está verificado”. A magistrada sublinhou que o fogo “andou nas proximidades” de casas e que, “se não fosse a pronta intervenção dos bombeiros e se as condições do tempo não tivessem ajudado no combate, estaríamos a discutir outro tipo de incêndio”.
A procuradora considerou ainda que o motivo apresentado pela arguida – que estava zangada com a mãe – “não faz sentido absolutamente nenhum” e é “difícil” de compreender”.
Versão diferente apresentou a advogada de defesa, que alegou que sua cliente agiu na sequência de “um acumular de desentendimentos, talvez por desespero”, e num quadro de cansaço, já que é a única cuidadora da mãe, agora com 98 anos, que “não a deixava dormir”.
“Não estava bem e cometeu um acto impensável. Quantas Marias Adelaide haverá neste país?”, questionou, assegurando que a sua cliente está a receber acompanhamento e tratamento médico e encontra-se bem integrada na comunidade.
Este último aspecto foi também mencionado pela representante do Ministério Público, que referiu ainda o facto de a arguida não ter antecedentes criminais. Pelo que, defendeu a suspensão da pena que pediu – até cinco anos de prisão.










