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Mosteiro de Coz, em Alcobaça, classificado como monumento nacional

“Finalmente, fez-se justiça”, a “uma pérola do património nacional”, afirma o presidente da Câmara de Alcobaça, em reacção à decisão aprovada, esta quinta-feira, em Conselho de Ministros.

Maria Anabela Silva Maria Anabela Silva
23 de Abril de 2021
em Viver
Mosteiro de Coz, em Alcobaça, classificado como monumento nacional
Mosteiro de Coz, em Alcobaça, classificado como monumento nacional
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Está aprovada a classificação do Mosteiro de Santa Maria de Coz, em Alcobaça, como monumento nacional. 

A decisão foi tomada esta quinta-feira, em reunião do Conselho de Ministros dedicada ao sector da cultura. 

Com esta classificação, atribuída a mais cinco imóveis do País, é reconhecida “o interesse dos bens enquanto testemunhos notáveis de vivências ou factos históricos”.

A par do Mosteiro de Coz, foram classificados o Seminário Maior de Coimbra, a Igreja de S. Miguel em Castelo Branco, a Villa Romana do Rabaçal, no concelho de Penela, o Povoado Fortificado de Cossourado, ou Forte da Cidade, em Paredes de Coura, Município de Vila Nova de Cerveira.

No caso do Mosteiro de Coz, a classificação abrange a Igreja de Santa Maria de Coz e parte do antigo dormitório e restantes dependências do mosteiro.

“Até que enfim. Finalmente fez-se justiça a este monumento”, desabafa Paulo Inácio, presidente da Câmara de Alcobaça. 

O autarca recorda que o Município tem “lutado bastante” por este reconhecimento ao monumento, que considera “uma pérola do património nacional, desconhecidos de muitos”. 

Para Paulo Inácio, esta classificação, além de “justa e devida”, coloca agora “mais responsabilidade no Estado e em todos nós” na preservação do monumento. 

Segundo o autarca, é “urgente” tratar do telhado, para “travar as infiltrações”. Depois, há a zona do antigo dormitório, sendo que, neste caso, existem “duas visões distintas”, uma que defende a “manutenção da ruína visitável e outra a sua recuperação”.

“Antes de tomar uma decisão, temos de fazer trabalhos arqueológicos, nomeadamente nas áreas que o Município adquiriu nos últimos anos: a zona das celas e espaços envolventes”, adianta Paulo Inácio. 

O autarca sublinha que a Câmara já investiu “centenas de milhares de euros” no monumento e “vai continuar a fazê-lo”. Mas, frisa, agora “o Estado tem a obrigação de acompanhar este esforço. 

O presidente da Câmara nota ainda que a classificação como monumento nacional “abre novas portas” a fundos comunitários para intervir no local.

Fundação do mosteiro remonta ao século XIII

A fundação do Mosteiro de Santa Maria de Coz “datará da primeira metade do século XIII” e estava destinado “a receber algumas viúvas devotas que asseguravam o funcionamento da poderosa abadia de Alcobaça”, pode ler-se no site da DGPC.
O ponto de viragem na vida da comunidade “deu-se em 1530, quando o mosteiro foi reconhecido pela Ordem de Cister, e elevado a abadia regular”. As edificações medievais, que “já haviam sofrido pelo menos uma grande intervenção, datada de 1519-27”, da qual o vestígio mais notável é o portal manuelino recolocado no extremo nascente do coro da igreja, tiveram mais obras no início da segunda metade do século XVI.
“Seguiu-se a grande empreitada da segunda metade do século XVII, da qual resultaram a imponente igreja actual, erguida entre 1669 e 1671, e a moderna feição do claustro e dos dormitórios. Nos anos seguintes, até 1716, concluiu-se a campanha decorativa barroca que dotou a igreja e seus anexos de altares de talha dourada, revestimentos azulejares e pintura”, acrescenta a informação da DGPC.
O período áureo da comunidade religiosa terminou com a destruição causada pelo terramoto de 1755, que desalojou as monjas, e com a extinção das Ordens religiosas, em 1834, “à qual se seguiram o saque generalizado e a ocupação desordenada dos espaços monásticos”.
A igreja, também conhecida por Mosteiro de Coz, está, desde 1946, classificada como Imóvel de Interesse Público, pelo que o desenvolvimento deste processo destina-se a conferir maior valor a todo o recinto monástico adquirido pelo município, bem como à própria igreja e a seu acervo artístico.

Tópicos: alcobaçadecisãomonumento nacionalmosteiro de coz
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