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Home Economia

“Não podemos cortar as unhas rentes”, obras públicas pedem mais do PT 2030

É essencial “manter o embalo” que o PRR deu à fileira

Jacinto Silva Duro Jacinto Silva Duro
24 de Janeiro de 2026
em Economia
José Luís Sismeiro

José Luís Sismeiro (Foto: Fotografia: JSD)

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A construção civil e obras públicas aproxima-se de uma encruzilhada, com a conclusão do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a 31 de Agosto.

Embora 2025 e a primeira metade de 2026 apresentem um crescimento, a partir de meados deste ano, se nada for feito, a fileira poderá estagnar, sem novas empreitadas.

Esta semana, em declarações ao Jornal de Negócios, Manuel Reis Campos, presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN) referiu que a construção civil estima um crescimento até 6,7% para este ano no segmento das obras públicas, impulsionado por uma “carteira robusta”, resultante do volume de concursos lançados até Novembro de 2025, que totalizaram 9.668 milhões de euros, mais 28% comparativamente ao período homólogo.

Adverte, contudo, que 2026 trará uma alteração. Com as obras financiadas pelo PRR a terem de estar concluídas até ao final do ano, não se antecipa aumento no volume de concursos, já que o ciclo de investimento entra na fase decisiva de concretização.

Por comparação, nos primeiros 11 meses de 2025, os contratos celebrados atingiram 7.186 milhões de euros, um crescimento de 60% face a 2024, incentivado pela execução dos contratos em carteira.

“Há uma dinâmica, ao nível da habitação e das obras públicas, que não pode ser parada”, refere, a partir de um ponto de vista regional, o presidente da ARICOP – Associação Regional dos Industriais de Construção e Obras Públicas de Leiria.

José Luís Sismeiro adianta que é essencial “manter o embalo” que o PRR deu à fileira e colocou à vista de todos.

“Não se pode voltar a correr o mesmo risco do passado”

A taxa de execução financeira global do PRR situava-se em 49% no nal de 2025, com níveis superiores na habitação (59%) e infra-estruturas (56%), mas mais baixos na eciência energética (32%) e mobilidade sustentável (30%).

“Não se pode voltar a correr o mesmo risco do passado quando, após fortes investimentos públicos, as empresas de construção civil e obras públicas tiveram de fechar ou desmantelar as suas estruturas”, resultando em situações, como, por exemplo, o presente cenário de ausência de oferta para habitação a custos comportáveis para as famílias portuguesas.

O presidente da ARICOP sustenta que Manuel Reis Campos quis, acima de tudo, alertar e sensibilizar autarquias e o Governo para necessidade “imperiosa” de manter “um nível razoável de sustentabilidade e investimento público”, sob pena de estagnação da fileira.

“Esperamos que a administração use o PT2030 para realizar os investimentos estruturantes que caram de fora do Plano de Recuperação e Resiliência, por não ser possível concluí-los dentro do prazo definido pela Comissão Europeia para concluir o PRR.”

Também Manuel Reis Campos sublinha a necessidade de assegurar uma “transição ordenada” para o PT2030, garantindo continuidade ao investimento público e previsibilidade para as empresas, consolidando os ganhos do PRR e permitindo uma “evolução equilibrada”.

Em conclusão, José Luís Sismeiro sublinha que as empreitadas não realizadas são empreendimentos estratégicos necessários para o desenvolvimento nacional.

“Não podemos cortar as unhas rentes e fazer de conta que não precisamos deles. O PT 2030 tem dinheiro e há muitos projectos prontos para avançar”, resume.

Tópicos: aricopfim do dinheirojosé luís sismeiroprrpt2023
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